Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

A cada dia uma Pérola

fevereiro/2019

  • Deixar-se levar pelo Senhor

    Cada ser humano tem sempre vontade de “arrumar” cuidadosamente sua vida segundo seus pequenos projetos e limitados horizontes.  Não seria mais conveniente largar-se nas mãos do Senhor?

    Tenho que aprender a largar-me para poder me encontrar, entregando-me ao amor de Deus. Se eu estivesse à procura de Deus, cada acontecimento e cada momento haveriam de plantar em minha vontade sementes de sua vida que um dia dariam maravilhosa colheita.

    Tomas Merton
    Novas sementes de contemplação
    Fissus, Rio 2001, p. 25

  • O ancião de barbas brancas esperava a luz…

    Delicado e belo esse costume de levar os filhos recém nascidos ao templo do coração de Deus.

    La vão os dois, na verdade os três.
    Maria, José e o Menino.
    Atravessam a esplanada para se dirigirem ao templo.
    Querem apresentar o Menino ao Altíssimo.
    Uma gaiola com dois pombinhos.
    O Menino envolto em panos.
    José, sempre muito silencioso.
    Oferta, oferenda da vida, apresentação do júbilo do coração.
    O ancião das barbas brancas, Simeão, cheio de anos pode agora pensar em partir.
    Seus olhos viram a salvação que havia sido prometida à humanidade.
    Seu rosto é iluminado com densa claridade.
    Dia da candelária, da luz, da oferta, das oferendas no brilho da Luz.

  • Viver com unção

    São Boaventura nos alerta: cuidado para não fazer as coisas da vida e da fé rotineiramente.

    Ninguém creia que basta a leitura sem a unção,
    a especulação sem a devoção,
    a investigação sem a admiração,
    o contemplar sob todos os ângulos sem a exultação,
    o esforço sem a piedade,
    a ciência sem a caridade,
    a inteligência sem a humildade,
    o empenho sem a graça divina,
    o espelho sem a sabedoria divinamente inspirada.

  • Frei Francisco, Frei Bernardo e os doces de Fra Jacoba

    No dia em que a Senhora Jacoba fez aqueles doces para o bem-aventurado Francisco, lembrou-se ele de Frei Bernardo, dizendo: “Frei Bernardo é que devia gostar destes doces!”. E mandou um companheiro que o chamasse: “Vai, e diz a Frei Bernardo que venha cá”. O Irmão foi logo à procura de Frei Bernardo e trouxe-o junto do Santo. Aí chegando, sentou-se ao lado do leito em que jazia o bem-aventurado Francisco, e disse: “Pai, peço-te que me abençoes e me dês assim um sinal do teu amor; porque, penso eu, se me mostrares o teu paternal afeto, também Deus e os outros irmãos me hão de amar”.

    Legenda Perusina, 107

  • Gritos e sussurros na oração

    Como faz bem ler este pensamento de Karl Barth que nos ajuda a rezar.

    Há duas maneiras de rezar.
    Será preciso praticar as duas.
    Há essa prece habitual que se faz pela manhã,
    à tarde, à mesa e a oração, digamos direta.
    Você pode se encontrar em situação difícil
    e sua oração nada mais será do que um suspiro,
    uma exclamação, um pensamento de gratidão.
    E há também esses gritos de dor,
    de arrependimento, de esperança,
    algo instantâneo, sem palavras, quase sem palavras.

    Karl Barth

  • Cuidado com o ativismo estressante

    São Bernardo de Claraval assim escreveu ao Papa Eugênio III, que havia sido seu discípulo, alertando-o para o perigo do ativismo.

    Receio que no meio de tantas e inúmeras ocupações você chegue ao cansaço estressante e que seu coração venha a endurecer, sem se dar conta do perigo que isto representa.  Um coração fechado ao amor de Deus e dos homens: eis o perigo que você está se expondo se se deixar absorver por louco trabalho, sem reservar nada para você mesmo.  Tudo isso pode contribuir para atormentar seu espírito, fazer com que seu coração se esgote e você venha mesmo perder a graça.

  • Canto à vida

    Que bom viver e ser um canto da vida!
    Que tu sejas estrelas a iluminar a noite.
    Que sejas a luz do dia que nasce.
    Que sejas o sol que matura os grãos.
    Que sejas a chuva que desce mansamente sobre os prados.
    Que sejas o vento que desarruma nossos pensamentos.
    Que sejas as flores de nosso jardim.
    Que sejas as lembranças alegres do coração.
    Que sejas a expectativa de um novo encontro.
    Que sejas nossa oração.
    Que sejas tudo, tudo.
    Que sejas.

    Blog de Lucia Nadal

  • Dar um passo adiante

    O Papa Francisco pede que não fiquemos marcando passo, mas tenhamos a coragem de dar um passo mais adiante…

    Peçamos ao Senhor a graça de não hesitar quando o Espírito nos exige que demos um passo em frente; peçamos a coragem apostólica de comunicar o Evangelho aos outros e fazer de nossa vida um museu de recordações. Em qualquer situação, deixemos que o Espirito Santo nos faça contemplar a história na perspectiva de Jesus ressuscitado. Assim a Igreja, em vez de cair cansada, poderá continuar em frente acolhendo as surpresas de Deus.

    Gaudete et Exultate, n. 139.

  • A história precisa de nós

    Eis uma palavra estimuladora e reconfortante. Temos diante de nós uma página branca a ser escrita.

    Mesmo que o horizonte de uma meta nos pareça longínquo,
    mesmo se por vezes seja compreensível
    que nos sintamos desanimados,
    não podemos nos fechar.
    A história precisa de nós.
    Na história há uma página em branco que precisamos escrever.
    É nossa, a nós foi confiada.
    Foi Deus quem disse: “Escreve nela”.

    Luigi Ciotti

  • O tema da esperança

    Será que conseguimos vislumbrar a presença de um Outro em nosso caminhar? Isso nos dá esperança?

    Nossa existência não é simples produto da matéria, mas que, para além de tudo há uma vontade pessoal, uma pessoa que se revela como Amor e nos dá o Ser.  A educação haverá de promover o descobrimento dessa presença amável na própria vida, nas pessoas e nos acontecimentos.  Se conhecemos a Deus e ele nos conhece, então no somos escravos do universo, nem de suas leis, nem do mal… mas somos livres A fé nos diz que a vida não acaba no vazio, que somente Deus pode superar o nada, a morte, o não-ser…  Quem tem esta esperança vive dignamente e com confiança, sabe integrar em sua existência as outras esperanças, acolhe uma vida nova.

    Carlos Garcia Liata

  • A quem escutar?

    Parece urgente que nosso mistério pessoal possa ouvir uma voz, um apelo. Afinal de contas deve haver coisas importantes que podem ser ouvidas.

    Somos existências sem contemplação. Não temos saudade nem remorso.  Não precisamos voltar para lugar nenhum. Não sabemos aquilo que poderemos descobrir. Tudo tem a mesma importância e importância nenhuma. Perdemos a capacidade do discernimento e da discrição.  Ninguém escuta ninguém. Para que escutar?  A quem escutar?

    David Turoldo

  • Sim! Qual é o nosso sim?

    Escolher sempre foi tarefa delicada e custosa.  Escolhas pessoais acertadas podem “arrumar” nossa vida.

    Não somos meros joguetes dos acontecimentos. Mesmo vivendo a complexidade do mundo, das coisas, do tempo sabemos que seremos humanos na medida em que assumirmos alegremente compromissos e responsabilidades, fazendo escolhas e a elas mantendo uma fidelidade criativa ao longo do tempo da vida no meio de incontáveis e imprevistas transformações.  O sim, a decisão e com eles o engajamento da pessoa não podem faltar.  Não se trata de nos fixar sem critério num passado revoluto em que tomamos decisões fundamentais, o que seria uma sepultura da vida.   Trata-se de uma fidelidade criativa. É certo que nossas grandes decisões são seladas com um sim que nos organiza interiormente. Ele nos faz humanos e não robôs.

  • A delicadeza de consciência de um noviço

    Francisco de Assis queria que seus seguidores fossem pessoas simples e despojadas e pobres de verdade.

    Havia uma vez um noviço que sabia ler o saltério, mas não muito bem.  Pelo gosto que fazia nessa leitura, pediu ao Ministro Geral licença para ter um saltério. O Ministro concedeu-lha. Mas o noviço não queria ficar com o saltério, sem primeiro ter a autorização do bem-aventurado Francisco. Tinha, com efeito, ouvido dizer que o Santo não queria ver os seus frades cobiçosos de ciência e de livros, mas queria vê-los como tantas vezes recomendava, apaixonados pela pura simplicidade, a santa oração e a Senhora Pobreza. Assim se formaram os primeiros frades, que eram santos; e esta lhe parecia a via mais segura para a salvação.

    Legenda Perusina 70

  • Optar por caminhos novos

    Através de nossas decisões, tentamos caminhos novos.  Vamos assumindo as responsabilidades de nossas escolhas, revendo-as regularmente em razão da mobilidade e complexidade das coisas e dos eventos. Quanto mais levamos em conta os valores que podem colorir nosso horizonte de amanhã, mais seremos capazes de dialogar com a complexidade.

    Frei Almir Ribeiro Guimarães

  • Cuidado para não “enterrar os talentos”!

    Buscando o rosto verdadeiro do Senhor!

    Uma das conversões profundas que os cristãos necessitam é esta de aprender a viver o cotidiano animados pela admiração e pelo agradecimento a Deus. De fato, a religião de muitos cristãos se alimenta mais do medo de Deus do que do louvor e da ação de graças. Quando Deus é percebido como um ser perigoso e temível diante do qual é melhor proteger-se e agir com cautela, o medo deste Deus provoca uma religião onde o mais importante é manter-nos puros diante dele, não transgredir seus mandados, expiar os pecados e garantir-nos a salvação. Esse tipo de religiosidade não favorece uma postura positiva diante da vida. Não leva a um desdobramento sadio da existência, mas ao contrário, a “enterrar os talentos”.

    José Antonio Pagola
    É bom crer em Jesus
    Vozes, p. 166

  • A humildade de Deus

    Sempre de novo contemplamos o lava-pés… gesto que acompanhará nosso coração até o fim.

    O gesto humilde por excelência
    que revela a humildade de Deus
    é o lava-pés
    em que Jesus se ajoelha
    diante de sua criatura.
    Um mesmo movimento para servir e salvar.

    Maurice Zundel

  • Sinto o perfume de tua doce presença

    Quando a vida pode estar chegando ao fim.

    Não sei há quanto tempo longínquo,
    te aproximaste de mim.
    O sol e as estrelas não podem
    esconder-te para sempre.

    Quantas vezes à noite e ao amanhecer
    teus passos se fizeram ouvir
    e teu enviado entrou em meu coração
    e me chamou em segredo.

    Não sei por que hoje minha vida
    está assim tão agitada,
    e uma sensação de alegria inquieta
    perpassa meu coração.
    É como se tivesse chegado o tempo
    de concluir o meu trabalho,
    sinto tênue no ar, o perfume
    de tua doce presença.

    Tagora, citado por Bruno Secondin
    Leitura Orante da Palavra,  Paulinas,  p. 184

  • A vida

    A vida é uma oportunidade, aproveite-a…
    A vida é beleza, admire-a…
    A vida é felicidade, deguste-a…
    A vida é um sonho, torne-o realidade…
    A vida é um desafio, enfrente-o…
    A vida é um dever, cumpra-o…
    A vida é um jogo, jogue-o…
    A vida é preciosa, cuide dela…
    A vida é uma riqueza, conserve-a…
    A vida é amor, desfrute dele…
    A vida é um mistério, descubra-o…
    A vida é promessa, cumpra-a…
    A vida é tristeza, supere-a…
    A vida é um hino, cante-o…
    A vida é uma luta, aceite-a…
    A vida é  uma aventura, arrisque-a…
    A vida é alegria, mereça-a…
    A vida é vida, defenda-a… 

    Madre Teresa de Calcutá

  • O espírito contemplativo

    Sim, o que bem pode se passar no espírito de um contemplativo?

    Pode haver  muita desolação e sofrimento  no espírito do contemplativo, mas há sempre mais alegria do que tristeza, mais segurança que dúvida, mais paz do que desolação. O contemplativo é aquele que encontrou aquilo que todos os homens buscam de um modo ou de outro.

    Thomas Merton

  • A vida dos frades de Francisco de Assis

    Coisas da epopeia dos começos:

    Todos os dias eram solícitos na oração e no trabalho manual, com o sentido de afugentarem  radicalmente toda ociosidade, inimiga da alma. Igualmente eram solícitos em se levantar à meia-noite, segundo a palavra do  Profeta:  “Levantei-me à meia-noite para te louvar”. E rezavam  com muita devoção e frequentemente com lágrimas. Amavam-se com amor profundo, serviam-se reciprocamente  e cuidavam uns dos outros, como uma mãe serve a seu filho e cuida dele.  Tão fortemente ardia neles o fogo da caridade que lhes parecia coisa fácil, e até desprezível, entregar os seus corpos  não só por amor de nosso Senhor  Jesus  Cristo, como também de uns para com os outros.

    Anônimo Perusino,  n. 25

  • Sinais promissores

    Não poucas vezes a realidade nos leva a exprimir  pensamentos  pessimistas  quanto  ao nosso  presente e futuro. Felizmente nem sempre as coisas são assim.

    Não podemos ignorar que está crescendo o número daqueles que estão assumindo uma responsabilidade real, que substituem o egoísmo pela solidariedade, a crueldade pelo pacifismo, o fanatismo pelo diálogo, a exploração desenfreada da natureza pelo respeito da vida, o racismo e nacionalismo pelo respeito aos direitos dos ser humano e do cidadão. Estas pessoas existem independentemente de sua confissão, entre cristãos e não cristãos, entre fiéis e incrédulos.

    Não sem esperança
    Tomás Halik
    Vozes, p. 49

  • Construindo a paz

    Não aguentamos mais tanta violência, tantos crimes, tantas mortes, tantas barbáries. Que nos pode dar a paz?

    Não é fácil construir a paz evangélica que não venha excluir a ninguém; antes, integra mesmo aqueles que são um pouco estranhos,  as pessoas difíceis e complicadas, os que reclamam atenção, aqueles que são diferentes, aqueles que são muito fustigados pela vida, aqueles que cultivam outros interesses. É difícil, requerendo uma grande abertura da mente e do coração,  uma vez que não se trata de um consenso de escritório ou uma paz efêmera para uma minoria feliz, nem um projeto de poucos para poucos. Também não se pretende ignorar ou dissimular os conflitos, mas aceitar e suportar o conflito, resolvê-lo e transforma-lo  no elo de um novo processo. Trata-se de ser artesãos da paz porque  construir  a paz é uma arte que requer serenidade, criatividade, sensibilidade e destreza.

    Papa  Francisco
    Gaudete et Exsultate, n. 89

  • Infância, adolescência e juventude

    Interessantes e curiosas essas observações da perspicaz  Lya Luft:

    Se a infância  é o pátio dos sonhos e dos devaneios, a juventude é  o horizonte provocador que dá tontura, arrepio, fascinação.  Mais medo. Época dos primeiros  questionamentos e daquela doce arrogância (outra face da insegurança) com que nos fingimos de onipotentes.

    No interstício,  a breve adolescência, de confusos fios saindo de muitos carreteis e misturando zonas de dor e de alegria, num bordado brilhante entremeado de tons escuros, e angústias que para os outros  parecem sem sentido, mas que para nós são o auge do drama.

    Rebeldias saudáveis, rebeldias tolas, rebeldias inúteis, sinais de que existimos: somos pessoas, queremos nos entender, nos expandir, queremos chegar a outros lugares: que trilhas de angústia sem explicação, a que nem nomes conseguimos dar. Mas sempre  queremos mais.

    Lya Luft
    O tempo é um rio que corre
    Ed.  Record, 2014, p.  60

  • O precioso tempo da juventude!

    Quando se é jovem alimentam-se ideias, sonhos e projetos; a juventude é o tempo em que amadurecem  opções decisivas para o resto da vida. E talvez porém por isto é  estação da existência na qual emergem com vigor as perguntas fundamentais: por que estou a terra?  Qual é o sentido do viver?  Que será da minha vida?  E ainda: como alcançar a felicidade? Por que o sofrimento, a doença e a morte?  O que existe depois da morte?  Perguntas que se tornam insuportáveis quando nos devemos confrontar com obstáculos que por vezes parecem insuperáveis: dificuldades nos estudos, falta de trabalho, incompreensões na família, crises de relações  de amizade  ou na construção de um entendimento conjugal, doenças ou deficiências, carência de recursos adequados  como consequência da atual difundida crise econômica e social. Então perguntamos: de onde haurir e como manter  viva no coração a chama da esperança?

    Mensagem do Papa  Bento XVI
    XXIV Jornada Mundial da Juventude

  • Gratidão sim, mágoa não!

    Não podemos deixar que  mágoas e ressentimentos nos paralisem…

    Deixar a mágoa para trás requer seguir na direção de algo mais benfazejo, requer adotar uma atitude de agradecimento.  A mágoa nos paralisa  e nos torna prisioneiros de nosso sofrimento; a gratidão nos abre para novas oportunidades e nos ajuda a superar nossos vícios e a seguir nossa vocação. A mágoa nos deixa exauridos  pelo ciúme, pela confusão e por desejos de vingança, causa-nos   distrações e preocupações infundadas; a gratidão  nos renova, dá-nos vitalidade, entusiasmo, torna-nos  focados e centrados.

    Henri Nouwen
    A Formação  Espiritual
    Vozes, p. 120-121

  •  Crise de esperança e juventude

    Os jovens são atingidos profundamente pela crise de esperança de nossos tempos.

    Assim escreveu  Bento  XVI:

    A crise da esperança atinge mais facilmente as novas gerações que, em contextos socioculturais privados de certezas, de valores e de sólidos pontos de referência, encontram-se  a enfrentar dificuldades  que são maiores que suas forças. Penso, queridos amigos, em tantos coetâneos vossos, feridos pela vida, condicionados  por uma imaturidade pessoal que muitas vezes é  consequência de um vazio familiar, de opções educativas permissivas e libertárias e de experiências  negativas e traumáticas. Para alguns e infelizmente  não poucos a saída quase obrigatória  é uma fuga alienante  com comportamentos de risco e violentos, na dependência de drogas e álcool, e em muitas outras formas de   mal-estar juvenil.

    Mensagem do Papa  Bento XVI
    XXIV Jornada Mundial da Juventude

  • No lugar chamado Gólgota

    Poucas linhas, linhas curtas que falam de coisas que aconteceram  no Gólgota.

    No lugar chamado Gólgota, o véu do templo se rasgou. A partir de então estava aberto para toda a humanidade o livre acesso  ao coração de Deus  (cf. Hb 10, 19).  O bom ladrão dá testemunho do fato  quando ele se volta para seu companheiro de suplício, dizendo: “Lembra-te de mim quando vieres como rei”. A resposta do Crucificado  chancela o Evangelho  da Misericórdia  com uma inaudita promessa:  “Eu te asseguro. Ainda hoje estarás comigo no paraíso”  (Lc 23, 42-43).  Todos os apelos feitos à memória de Deus acham aqui seu lugar de atendimento. O Filho de Deus  de braços abertos os recolhe  tornando-se o Memorial vivo  onde está escrito o nome de cada homem:  “Eis que eu te desenhei  na palma de minhas mãos” (Is 49,16).

    Étienne Reynaud, OSB
    Christus 219, julho de 2008, p. 292

  • Uns rezando pelos outros

    Que doce e bela a certeza de que pessoas intercedem por nós junto do Senhor.

    Neste preciso momento, em toda  a extensão da terra  há cristãos rezando, bem como judeus, muçulmanos e budistas em prece.

    Não creio que possa haver um segundo do mundo sequer sem que haja uma alma humana em oração.

    Pensemos  nos que pedem por nós sem nos conhecer, tenhamos bem em mente a esta multidão silenciosa de almas em oração.  Não estamos sós.  Na solidão, no silêncio, no abandono,  quando a matéria dorme, no barulho e no furor do sofrimento, do nascimento, da conjunção dos corpos, no desespero  há sempre a paz da oração, por toda parte lampejos da graça. Há a Igreja das almas.

    Somos  um povo de delicadas chamas brilhando na  noite, que se acendem umas nas outras e se propagam nas trevas.

    Frei Almir Ribeiro Guimarães