Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

A cada dia uma Pérola

dezembro/2018

  • Vem Senhor

    Estamos colocando nossos passos nos sendeiros do advento.  Não aguentamos mais de solidão. Que o Senhor venha, venha mesmo sem tardar.

    Vem, Senhor Jesus, procura teu servo,

    pastor, procura a ovelha exaurida,

    deixa aquelas em segurança e procura aquela que se perdeu.

    Vem a mim porque lobos andam à minha espreita;

    procura-me porque ando à tua procura.

    Procura-me, encontra-me, acolhe-me.

    Podes encontrar aquele que procuras;

    digna-te acolher aquele que chega a te encontrar,

    coloca em teus ombros quem acolheste.

    O fardo da piedade não é pesado para ti.

    Um peso justo parati não é fardo.

    Vem, Senhor, buscar a ovelha, vem tu mesmo.

    Coloca-me junto de tua cruz

    que é remédio para os errantes

    e repouso para os cansados.

    Santo Ambrósio, eleito bispo em 374

  • Famílias que respiram o Evangelho

    José Antonio Pagola, em encarte da revista  Vida Nueva (Espanha) de 4 de janeiro de 1997,  escreveu um texto denso a respeito do modo  de se viver a fé em família.  Há famílias que, de fato, respiram o  Evangelho.

    Há famílias que conservam sua vida identidade cristã. Os pais têm sensibilidade religiosa e  se preocupam com a educação cristã dos filhos. Para bom número de pais a fé continua sendo elemento importante na configuração de sua casa. Talvez seja um número mais numeroso do que se possa pensar. São famílias que encontraram significativo apoio por parte da comunidade paroquial e assim passaram a viver a fé de maneira atualizada em sua casa. Há, efetivamente, famílias onde é possível sentir que se respira a alegria do Evangelho.

    José  Antonio Pagola

  • As vindas do Senhor

    Ao longo dos dias dezembro nutrimos sentimentos de desejo da vida do Senhor.  Cirilo de Jerusalém fala aqui não de uma mas  de duas vindas.

    Anunciamos a vinda de Cristo: não apenas a primeira, mas também a segunda, muito mais gloriosa. Pois a primeira se revestiu de um caráter de sofrimento, mas a segunda manifestará a coroa da  realeza divina.  Aliás tudo o que concerne a nosso Senhor Jesus  Cristo  tem quase sempre  dupla dimensão. Houve um duplo nascimento: primeiro, ele nasceu de Deus, antes dos séculos;  depois, nasceu da Virgem, na plenitude dos tempos. Dupla descida: uma, discreta  como a chuva sobre a relva; outra, no esplendor, que se realizará no futuro.  Na primeira vinda ele veio envolto em faixas e reclinado num presépio; na segunda, revestido num manto de luz. Na primeira, ele suportou a cruz, sem recusar sua ignomínia; na segunda, virá cheio de glória, cercado de uma multidão de anjos.

    Catequeses de São Cirilo de  Jerusalém
    Lecionário Monástico I, p. 16-17

  • Ele vem sem cessar

    Fazemos nossas essas súplicas para o tempo do advento.

    Incessantemente, ele vem, nosso Deus encarnado…

    Vem de dia e vem à noite.

    Esperamo-lo pela porta, ele se apresenta à janela.

    Aguardamo-lo com alegria, no entanto, chega com sua cruz.

    Vem na abundância, mas sobretudo na pobreza.

    Vem quando é desejado e irrompe quando não é esperado.

    Vem por meio  de sua Palavra e de sua Eucaristia

    com todos os seus mistérios.

    Jean de Saint-Cyr

  • Ser fiel

    Fidelidade a Deus, a si mesmo, à própria consciência, ao cônjuge, aos filhos, aos amigos… sempre a fidelidade.  Um risco e uma alegria. Eis um aspecto da fidelidade conjugal.

    A fidelidade não é um comportamento angélico: é inscrição na carne da continuidade de uma escolha na qual toda a pessoa se comprometeu, se deu e se ofereceu. É risco que não é solitário.  A fidelidade se vive com o outro e se funda na confiança um dia feita, ao estrangeiro, à estrangeira que veio a se tornar a pessoa mais próxima. É bem no seio desse relacionamento estranho e admirável que somos convidados a viver esta dimensão da existência que é a fidelidade, o dom ao outro daquilo que nos é mais caro e que não nos pertence: nós mesmos, entrega que se abre ao risco e à alegria.

  • O Batista e seu e nosso deserto

    Um de nossos companheiros no tempo do advento é certamente João Batista.  Ele é o preparador dos caminhos para que o Senhor possa passar.  Muito se poderia dizer a respeito de sua vida.  São Beda assim interpreta o deserto do Batista.

    O deserto onde João vivia representa a vida dos santos separados dos prazeres deste mundo: quer vivam como solitários, ou misturados às multidões, procuram sempre de toda alma, desprezar os desejos do século presente. Só encontram alegria em se unir a Deus, no segredo de seu coração, e nele colocar sua esperança. É para essa solidão da alma, tão cara a Deus, que o profeta desejava ir, ajudado pela graça do Espírito Santo, quando dizia: Quem me dera ter asas de pomba para eu sair voando e pousar…(Sl 54,7). E, alegrando-se por tê-la encontrado com o auxílio de Deus, logo acrescenta, como quem escarnece das amarras dos desejos terrestres: Sim, Eu fugi para longe e pernoito no deserto) Sl 54.8).

    São Beda, o Venerável
    Lecionário Monástico I, p. 96-97

  • Ele vem sem cessar

    Esse Deus que vem nos visitar, vem sem cessar… não apenas nesta quadra do ano.

    Vem no silêncio e na brisa suave de Elias.
    Vem no alvoroço da multidão e no barulho.
    Vem em todos os rostos encontrados
    ao longo do tempo da vida.
    Vem a cada instante, mas meus olhos
    estão impossibilitados de reconhece-lo,
    Vem com Maria, os anjos e os santos.
    Um dia virá e me levará para seu Reino.

    Jean de Saint-Cyr

  • Maria de toda beleza

    Solenidade de Maria Imaculada em todo o seu esplendor.  Maria a Eva nova.

    Maria, santa de corpo, completamente bela de alma, pura de espírito, sincera de entendimento, perfeita de sentimentos, casta, pura de coração, leal e portadora de todas as virtudes.

    Que em Maria se alegre toda a linhagem das virgens, pois uma dentre elas deu à luz o que sustenta toda criação, ao que libertou o gênero humano que gemia sob a escravidão.

    Que em Maria se alegre o antigo Adão, ferido pela serpente maldita e lhe cura de sua chaga mortal.

    Que  os sacerdotes se alegrem na Virgem bendita. Ela deu ao mundo o Sacerdote eterno que é, ao mesmo tempo, vítima. Ele pôs fim aos primitivos sacrifícios, tornando-se a Vitima que pacifica o Pai.

    Que em Maria se alegrem todos os profetas. Nela se cumpriram suas visões, se realizaram suas profecias, se confirmaram seus oráculos.

    Santo Efrém

  • Chorar faz bem

    Sim, é verdade: chorar pode fazer bem e de muitos modos. Há lágrimas que são libertadoras.

    Chorar tem seu valor, pois, significa expor nossa vulnerabilidade, nossa fragilidade diante dos outros.  Na cultura do sucesso chorar é uma manifestação de fracasso e frustração.   Expor o choro abertamente é revolucionário, quase contracultural. Além disso, chorar é libertador. Limpa, desopila, cura, produz até certo prazer, como diz o clássico. Por meio das lágrimas nos livramos do sofrimento e, consequentemente, somos tomados de um sentimento de libertação.

    Não precisamos de coragem para chorar escondido. Já em público, sim, pois expomos nossa vulnerabilidade emocional, especialmente em um contexto em que se mistificam seres metálicos, fechados em capaz de aço, alheios a qualquer fragilidade emocional.

    Francesc Torralba
    O valor de ter valores, Vozes, p.  143

  • Essas originalidades de Francisco de Assis

    Quanto aprendemos desse Francisco de Assis tão livre e tão criativo! Até mesmo na prisão.

    Tendo tomado parte na guerra entre Perúsia e Assis, Francisco caiu prisioneiro, como muitos dos seus concidadãos, e foi conduzido a Perúsia. Como era de maneiras nobres, meteram-no na prisão dos cavaleiros. Enquanto os outros cativos se lamentavam, ele, naturalmente jovial e folgazão, não deixava transparecer nenhuma tristeza; mostrava até semblante alegre.  Certo dia, um dos companheiros censurou-o: “É preciso ser bem tolo para alegrar-se quando se está preso”. Francisco replicou-lhe com vivacidade: “Que ideia tendes de mim? Sabei que um dia hei de ser venerado em todo o mundo?” Um dos cavaleiros retidos  na mesma prisão  insultou um  dia um dos seus companheiros de cativeiro.  Por isso, todos os outros se afastavam dele.  Somente Francisco nunca deixou de se aproximar dele  e exortava os outros a fazerem o mesmo.

    Legenda dos Três Companheiros, 4.

  • A beleza do perdão

    Quando perdoamos e somos perdoados navegamos nos espaços do dom e de uma profunda felicidade.

    Perdoar e ser perdoado é necessário para o crescimento e o futuro do homem e da humanidade. É também condição para se viver uma oração como deve toda oração.  Ódio e rancor bloqueiam nossa vida espiritual. Quando eu era criança minha mãe me perdoou por eu ter tirado dinheiro de sua carteira. Tenho necessidade do olhar criador e benevolente do outro. O gesto de minha mãe me revelou que eu ainda era digno de ser amado.  Mais tarde todas as vezes que confrades me perdoaram acolhi olhares que não me aprisionavam em meu pecado. A partir do perdão passei a ser uma pessoa em estado de crescimento. Minha vida passou a ser como uma página em branco onde podia começar a escrever de novo.

    Frei Michel Hubaut, OFM

  • Vida espiritual

    Vida espiritual é uma existência que se passa iluminada pelo Espírito.

    A vida espiritual não uma superestrutura por sobre nossa vida. É uma vida nova e renovada, vida em Deus. Ela exige coragem. É como o começo de uma viagem, não tanto exterior, mas em profundidade, não fora de nós mesmos, mas em nosso interior. A vida espiritual nos leva a contemplar paisagens diferentes e mesmo desconcertantes.  O homem que vive espiritualmente perscruta os acontecimentos, interroga-se a respeito daquilo que anda acontecendo em sua vida.  Vive-se espiritualmente quando se tem saúde ou quando a doença vem se instalar. O homem espiritual, que vive do Espírito, tem um cotidiano banhado por uma verdadeira Luminosidade.

    Frei Almir Ribeiro Guimarães

  • Olha… venha ver o sol que está nascendo…

    José Tolentino Mendonça, em um de seus livros,  fala da mística do olhar. Transcrevo uma página do autor em que escreve sobre a necessidade de olhar para evitar… bem, vejam o que se segue.

    Lembro-me de uma história que uma querida amiga me contou. O seu pai era juiz na Itália. Um homem severo e absorto sem tempo a desperdiçar, sem grande vontade de levantar os olhos do seu importante mundo, ainda menos para escutar os rigores  por que passavam as crianças.  Ela cresceu, formou-se e, durante os primeiros anos, chegou a trabalhar como secretária do pai. Essa proximidade em nada alterou o quadro que conhecia: continuavam dois estranhos, com uma relação puramente formal, e um mundo submerso de coisas por dizer. Ela conta que um dia fizeram uma viagem de trabalho a uma das ilhas gregas. Foram de barco e podemos imaginar os longos tempos de travessia. De madrugada, porém, sobressaltada, ela percebe que o pai está em seu camarote tentando acorda-la. Fixa-o sem saber o que se passa. E ele lhe diz: “Venha ver o sol que está nascendo. É enorme, enorme. Venha depressa. Você vai gostar. Venha”.  Muitos anos depois, o pai já tinha morrido, essa história se passava havia décadas, minha amigo me confidenciou: “Se ele tivesse feito pelo menos mais uma coisa destas, pelo menos mais uma, eu lhe teria perdoado tudo”.

    José Tolentino Mendonça
    A mística do instante presente
    Paulinas, 2017, p. 131

  • Deus precisa habitar nossa alma

    Ele, o Senhor, o Altíssimo pode e quer morar em nosso interior. Felizes aqueles que são habitados por esta forte e indispensável presença.

    Se uma casa não for habitada pelo dono, ficará sepultada na escuridão, desonra, desprezo, repleta de toda espécie de imundícia. Também a alma, sem a presença de Deus, que nela jubilava com seus anjos, cobre-se com as trevas do pecado, de sentimentos vergonhosos e de completa infâmia.

    Ai da estrada por onde ninguém passa nem se ouve a voz de homem!  Será morada de animais. Ai da alma, se nela não passeia Deus, afugentando com sua voz as feras espirituais da maldade! Ai da casa não habitada por seu dono! Ai da terra sem o lavrador que a cultiva! Ai do navio se lhe falta o piloto; sacudido pelas ondas e tempestades do mar, soçobrará! Ai da alma que não tiver em si o verdadeiro piloto, o Cristo! Porque lançada na escuridão de mar e sacudida pelas ondas das paixões, jogada pelos maus espíritos como em tempestade de inverno, encontrará afinal a morte.

    Ai da alma se lhe falta Cristo, cultivando-a com diligência, para que possa germinar os bons frutos do Espírito.

    Das Homilias atribuídas a São Macário, bispo.
    Liturgia das Horas IV, p. 521-522.

  • Delicadeza e solicitude

    Os gestos solícitos encantam e animam, estimulam e incentivam a convivência e tornam prazenteiros os relacionamentos. Valem mais do que declarações de amor por demais formais.

    Solícito é aquele que se empenha em ser útil, gosta de prestar serviço, inventa expedientes para proporcionar alegria aos outros. O solícito é prestimoso. Um amigo está doente. Um dia o visitamos, noutra ocasião telefonamos. Tentamos nos fazer presentes em sua vida. É solícito aquele homem que em cada presta atenção numa torneira que pinga, numa lâmpada que está queimada, numa pilha de louças que precisa desaparecer da pia.  É solícita a mulher que se senta ao lado do marido que atravessa turbulências existenciais. Espera-o à volta do trabalho, quando possível. Conversa a respeito das coisas da vida que foram sendo feitas por ele ou por ela e pelos dois juntos.  Coloca-se diante dele física e interiormente.  Solícita, ela tenta fazer com que ele verbalize aquilo o machuca, golpeia ou magoa.

    Frei Almir Ribeiro Guimarães

  • Francisco de ontem e de sempre

    Nossos tempos, por diversas razões,  está redescobrindo a figura de São  Francisco e parece que o santo  pode oferecer “receitas velhas e novas” para os desafios do mundo de hoje.

    Francisco – bem depressa seguido por Clara – abdica de todo poder, prestígio, ambições  para escolher o caminho que desce socialmente. Sai de Assis e vai para a periferia, em sinal de seu desacordo com o sistema e em resposta ao amor do Filho de Deus que se esvazia de sua divindade para tornar-se pobre, servidor dos humildes e morrendo numa cruz, fora da cidade.  Isto faz parte de sua descoberta de Deus: um Deus humilde, espelhado nos humildes da terra.  Escolhe para sua fraternidade a designação de frades menores; e ensina que os irmãos devem lavar os pés uns dos outros e alegrar-se quando se encontram entre pessoas insignificantes e desprezadas, entre pobres, fracos, enfermos, leprosos e os que mendigam na rua.  Aproxima-se das criaturas com um olhar não possessivo, por isso elas se lhe revelam como irmãs e aliadas. Até os lobos se pacificam à sua presença, diz a lenda, certamente os lobos que dormem dentro de nós.

    Reviver o sonho de Francisco e Clara
    no chão da América Latina e do Caribe
    CEFEPAL, 2009, p. 34.

  • Preparando o Natal

    Transcrevemos alguns tópicos de um sermão de um autor anônimo  do século IX,  exortando seus ouvintes a enfeitarem o coração  em vista do Natal.

    Não é sem razão, irmãos caríssimos, que este tempo se chama advento do Senhor. Se os Santos Padres, com efeito, começaram a celebrar a vinda do Senhor e fizeram sermões para o povo a respeito desses dias, foi para que cada fiel se preparasse e emendasse, de modo a poder celebrar dignamente o nascimento de seu Deus e Senhor.

    Suponhamos que algum de vós devesse receber em sua casa a visita de seu patrão: limparia a casa de toda sujeira e imundície, e prepararia tudo que fosse conveniente e necessário, de acordo com suas possibilidades. Ora, se assim faz o mortal ao receber outro mortal quanto mais a criatura não deverá se purificar para não desagradar ao seu  Criador, quando ele vier na carne?

    Lecionário Monastico I, p. 141

     

  • Acolher

    Nunca como hoje será preciso que nos exercitemos na arte da acolhida. Num mundo de divergências e múltiplas opções será fundamental lançar pontes entre as pessoas acolhendo, ouvindo, reservando espaços para os outros em nossa intimidade.  Isso tem tudo a ver com o natal que se aproxima com celeridade.

    Acolher é um gesto que vai contra a formação de guetos, a estigmatização, a marginalização. Para acolhermos precisamos superar os preconceitos e os lugares comuns, o maniqueísmo latente que nos leva a ver o forasteiro como um portador de contravalores e o anfitrião como vítima que perde sua identidade e, como se não bastasse, até seus valores, com a chegada do outro (…).  Contra o tribalismo temerário, devemos lutar pela abertura e a tolerância.  A presença do outro é sempre inquietante para um povo. É preciso vencer o medo, assim como a tendência a odiar o que é estranho, diferente, simplesmente o que é estrangeiro. A metamorfose é possível. O ódio que alimenta a xenofobia pode se transformar em um amor que permite o acolhimento.

    Francesc Torralba
    O valor de ter valores
    Vozes, p. 153-154

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