Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Especial Campanha da Fraternidade

Introdução

Pelo 56º ano consecutivo, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promove a Campanha da Fraternidade (CF). A cada ano é apresentada uma realidade de fragilidade e de carência em nosso país e, neste ano especificamente, a reflexão se concentrará no tema Políticas Públicas e Fraternidade. Com a Campanha da Fraternidade, a Igreja do Brasil propõe que a Quaresma não fique apenas num bom desejo e em exortações teóricas, mas ajude nesse tempo de conversão a despertar uma cultura de fraternidade, a reforçar os princípios de justiça e a denunciar ameaças e violações da dignidade e dos direitos.

Ao trazer à luz este tema, a Igreja do Brasil pretende conscientizar os cristãos da importância do envolvimento nas questões políticas e sociais, acompanhando o que já é realizado e cobrando novas ações para todos os cidadãos, sobretudo os que mais necessitam da atenção do Estado. “A Campanha da Fraternidade 2019 é um convite para uma maior participação das pessoas na elaboração e na implementação de Políticas Públicas, projetando, assim, o presente e o futuro do Brasil, amparado no direito e na justiça, livre das desigualdades que atingem os mais pobres. A participação nas Políticas Públicas na ótica da misericórdia torna-se caminho inspirador para a vida não só dos cristãos, mas de todas as pessoas de boa vontade”, aponta o texto-base da CF, nº263.

Neste ano, a CF tem como objetivo “Estimular a participação em Políticas Públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade”.

Como objetivos específicos, a CNBB propõe:

– Exigir ética na formulação e na concretização das Políticas Públicas.
– Despertar a consciência e incentivar a participação de todo cidadão na construção de Políticas Públicas em âmbito nacional, estadual e municipal.
– Propor Políticas Públicas que assegurem os direitos sociais aos mais frágeis e vulneráveis.
– Trabalhar para que as Políticas Públicas eficazes de governo se consolidem como políticas de Estado.
– Promover a formação política dos membros de nossa Igreja, especialmente dos jovens, em vista do exercício da cidadania.
– Suscitar cristãos católicos comprometidos na política como testemunho concreto da fé.

Acompanhe neste Especial a mensagem do Secretário-Geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner; dois artigos de Frei Luiz Iakovacz; a série de entrevistas produzida por nossa Província; e as explicações sobre o tema, cartaz, além do hino e oração da CF deste ano, retirados do texto-base.

Mensagem do Papa Francisco para a CF

Como já é tradição, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abre oficialmente nesta quarta-feira de Cinzas, (06/03), a Campanha da Fraternidade (CF).

Nesta Campanha, que se desenvolve mais intensamente no período da Quaresma, a Igreja Católica busca chamar a atenção dos cristãos para o tema das políticas públicas, ações e programas desenvolvidos pelo Estado para garantir e colocar em prática direitos que são previstos na Constituição Federal e em outras leis.


Mensagem do Papa Francisco

O Papa Francisco também este ano enviou uma mensagem por ocasião da abertura da Campanha da Fraternidade. Eis a íntegra da mensagem do Santo Padre:

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Com o início da Quaresma, somos convidados a preparar-nos, através das práticas penitenciais do jejum, da esmola e da oração, para a celebração da vitória do Senhor Jesus sobre o pecado e a morte. Para inspirar, iluminar e integrar tais práticas como componentes de um caminho pessoal e comunitário em direção à Páscoa de Cristo, a Campanha da Fraternidade propõe aos cristãos brasileiros o horizonte das “políticas públicas”.

Muito embora aquilo que se entende por política pública seja primordialmente uma responsabilidade do Estado cuja finalidade é garantir o bem comum dos cidadãos, todas as pessoas e instituições devem se sentir protagonistas das iniciativas e ações que promovam «o conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição» (Gaudium et spes, 74).

Cientes disso, os cristãos – inspirados pelo lema desta Campanha da Fraternidade «Serás libertado pelo direito e pela justiça» (Is 1,28) e seguindo o exemplo do divino Mestre que “não veio para ser servido, mas para servir” (Mt 20,28) – devem buscar uma participação mais ativa na sociedade como forma concreta de amor ao próximo, que permita a construção de uma cultura fraterna baseada no direito e na justiça. De fato, como lembra o Documento de Aparecida, «são os leigos de nosso continente, conscientes de sua chamada à santidade em virtude de sua vocação batismal, os que têm de atuar à maneira de um fermento na massa para construir uma cidade temporal que esteja de acordo com o projeto de Deus» (n. 505).

De modo especial, àqueles que se dedicam formalmente à política – à que os Pontífices, a partir de Pio XII, se referiram como uma «nobre forma de caridade» (cf. Papa Francisco, Mensagem ao Congresso organizado pela CAL-CELAM, 1/XII/2017) – requer-se que vivam «com paixão o seu serviço aos povos, vibrando com as fibras íntimas do seu etos e da sua cultura, solidários com os seus sofrimentos e esperanças; políticos que anteponham o bem comum aos seus interesses privados, que não se deixem intimidar pelos grandes poderes financeiros e mediáticos, sendo competentes e pacientes face a problemas complexos, sendo abertos a ouvir e a aprender no diálogo democrático, conjugando a busca da justiça com a misericórdia e a reconciliação» (ibid.).

Refletindo e rezando as políticas públicas com a graça do Espírito Santo, faço votos, queridos irmãos e irmãs, que o caminho quaresmal deste ano, à luz das propostas da Campanha da Fraternidade, ajude todos os cristãos a terem os olhos e o coração abertos para que possam ver nos irmãos mais necessitados a “carne de Cristo” que espera «ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós» (Bula Misericórdia vultus, 15). Assim a força renovadora e transformadora da Ressurreição poderá alcançar a todos fazendo do Brasil uma nação mais fraterna e justa. E para lhes confirmar nesses propósitos, confiados na intercessão de Nossa Senhora Aparecida, de coração envio a todos e cada um a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim.

Vaticano, 11 de fevereiro de 2019.

[Franciscus PP.]

Mensagem de Dom Leonardo Ulrich Steiner

“Jesus veio para a Galileia, proclamando a Boa-nova de Deus. ‘Completou-se o tempo, e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede na Boa-nova’” (Mc1,14.15). O Reino da verdade, da graça, da justiça, do amor e da paz! O Reino que liberta, pois nos oferece a graça da filiação divina, da fraternidade em Cristo Jesus.

Fomos pelo Batismo e pela Crisma revestidos do novo Reino, de um novo espírito que nos torna aprendizes, discípulos caminhantes pelas estradas da Boa-nova. Somos anunciadores, proclamadores, missionários de Jesus, do novo Reino, novo céu e nova terra (Ap 21,1). Testemunhas de novo horizonte, novo sentido; uma vida com nova claridade! Discípulos missionários do novo Reino de Jesus! Mulheres e homens que vivem de Cristo. Ele nos indicou o caminho da fraternidade, do direito e da justiça. Nascer, renascer em Cristo, maturar nele; chegar à plenitude da comunhão com Ele! Voltados para Ele, vivendo dele, partilhamos sua vida e apropria santidade (Hb 12,14). Santidade no serviço misericordioso aos irmãos, às irmãs e a toda a obra criada. Por Ele atraídos, somos enviados como anunciadores de sua presença inaudita. Serviço transformativo e construtivo de novas relações que possibilitem a participação de todos na construção de uma sociedade fraterna baseada no direto e na justiça (Is 1,27).

Os exercícios quaresmais que a Igreja propõe aos católicos são: jejum, esmola e oração.

São os exercícios físico-espirituais para se deixar tomar pelo seguimento de Jesus Cristo.

Jejum: esvaziamento, expropriação, concentração, libertação! Tudo para que sejamos um só em Cristo (G1 3,28), e Cristo seja formado em nós (G14,19). O jejum é receptividade da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Despertar em nós a fome de Deus e a disponibilidade de saciar a fome dos irmãos e irmãs.

Esmola: partilha, misericórdia, cuidado, entrega! Vida evangélica partilhada! O amor e a misericórdia saem ao encontro do outro. Esmola é dinâmica do amor de Deus: saída! A esmola nasce da alegria de ter encontrado o tesouro escondido, a pérola preciosa (Mt 13,44-46).

Oração: a escuta e a meditação despertam para a oração. A escuta e a meditação se fazem palavra, prece, oração. Oração como necessidade do coração de transformar em palavras as manifestações amorosas de Deus. Jejum, esmola e oração despertam para a sensibilidade do tempo que está sempre por se completar e repleto de Deus. Movimento de mudança, de transformação para atingir a plenitude da vida em Cristo. Os exercícios quaresmais como caminho do direito e da justiça.

A Quaresma nos provoca e convoca à conversão, mudança de vida: cultivar o caminho do seguimento de Jesus Cristo. Ela desperta a necessidade de partilha e nos aproxima da irmandade.

Todos os anos, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresenta a Campanha da Fraternidade como caminho de conversão quaresmal. Um caminho pessoal, comunitário e social que visibilize a salvação paterna de Deus. Fraternidade e Políticas Públicas é o tema da Campanha para a Quaresma em 2019. O profeta Isaías inspira o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is1,27).

A Campanha tem como objetivo geral: “Estimular a participação em Políticas Públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade”. Políticas Públicas são as ações discutidas, aprovadas e programadas para que todos os cidadãos possam ter vida digna. São soluções específicas para necessidades e problemas da sociedade. É a ação do Estado que busca garantir a segurança, a ordem, o bem-estar, a dignidade, por meio de ações baseadas no direito e na justiça.

Política pública não é somente a ação do governo, mas também a relação entre as instituições e os diversos atores, sejam individuais ou coletivos, envolvidos na solução de determinados problemas. Para isso, devem ser utilizados princípios, critérios e procedimentos que podem resultar em ações, projetos ou programas que garantam ao povo os direitos e deveres previstos na Constituição Federal e em outras leis.

A Campanha da Fraternidade acontece no ano em que o Papa Francisco proclamou o mês de outubro como Mês Missionário Extraordinário. O Santo Padre, ao instituir o Mês Missionário Extraordinário, ofereceu como tema: “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo”. Os batizados em sua missão no mundo participando da construção de Políticas Públicas que construam a fraternidade.

Maria, mãe do Príncipe da Paz, nos acompanhe no caminho de conversão quaresmal! Jesus Cristo crucificado-ressuscitado, que transformou todas as coisas, nos ajude no caminho da superação da violência, pois somos todos irmãos. A todos os irmãos e as irmãs, a todas as famílias e as comunidades, uma abençoada Páscoa.

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

Acompanhe a série de entrevistas

A Província Franciscana da Imaculada Conceição, através da Frente de Evangelização da Comunicação, entende que a Campanha da Fraternidade é uma oportunidade especial para as pessoas discutirem e participarem das Políticas Públicas visando a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

Para isso, produziu uma série de entrevistas abordando diversos aspectos das políticas públicas e suas áreas de atuação, para fortalecer essa temática.

Acompanhe abaixo os entrevistados e os respectivos temas. As entrevistas serão disponibilizadas ao longo de todo Tempo da Quaresma.

Tema e Lema da CF | Entrevistado: Dom Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB.

Conceito de Políticas Públicas | Entrevistado: Robert Soares do Nascimento

Agente de Pastoral, compõe o Núcleo em Educação e Direitos Humanos da UNISAL (Centro Universitário Salesiano de São Paulo) e participa do Grupo de Trabalho de Justiça Restaurativa da Comarca de Americana (SP).

Política como exercício do bem comum | Entrevistado: Felix Fernando Siriani

Formado em Gestão de Políticas Públicas, especialista em Pedagogia Social, Pastoral Escolar e mestrando em Mudança Social e Políticas Públicas.

Doutrina Social da Igreja | Entrevistado: Prof. Dr. Fernando Altemeyer Junior

Chefe do Departamento de Ciência da Religião da PUC – SP.

As ações e ensinamentos de Jesus como inspiração para políticas em favor da cidadania | Entrevistado: Francisco Orofino

Leigo, professor de Teologia Bíblica em Nova Iguaçu (RJ) e assessor do CEBI (Centro de Estudos Bíblicos) e do ISER Assessoria (Instituto de Estudos da Religião).

Os franciscanos e o engajamento político | Entrevistado: Frei Vitorio Mazzuco

Mestre em espiritualidade e coordenador da Pastoral Universitária da USF.

A importância dos Movimentos Sociais na busca do bem comum | Entrevistado: Dom Guilherme Werlang

Bispo da Diocese de Lages (SC) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora da CNBB.

Políticas Públicas na área da saúde | Entrevistado: Fernando Pigatto

Presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS) e Representante da Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM).


Acompanhe as primeiras entrevistas da série no Soundcloud:

CF e Políticas Públicas

Frei Luiz Iakovacz

O que é?

Em 1964, a Campanha da Fraternidade (CF) foi assumida pela CNBB e solicitou que todas as dioceses e paróquias, paulatinamente, a implantassem nos moldes em que foi iniciada nos anos 1962/1963, na cidade de Natal e em 16 dioceses do Nordeste. São 55 anos de caminhada.

Já o conceito de Políticas Públicas é mais recente. Nelas não se fala de política, nem de eleições, pois são “um conjunto de ações a serem implementadas pelos gestores públicos, visando promover o bem comum, na perspectiva dos mais pobres da sociedade” (Texto-Base p. 19).

Há uma sintonia entre Governo e instituições sociais, sejam individuais ou coletivas (empresários, trabalhadores, sindicatos, mídia, corporações, ONGs), envolvidos na solução de determinados problemas. “Tais ações resultam em projetos que visam garantir os direitos e deveres previstos na Constituição Federal ou em outras leis” (idem, p. 20).

A Constituição de 1988 criou mecanismos para o exercício da democracia, tais como plebiscitos, referendos, projetos de leis de iniciativa popular, participação de civis nos Conselhos Municipais de Saúde, Educação, Assistência Social, ECA e outros.

O Texto-Base (pp. 33-36) propõe cinco passos para a realização de uma boa Política Pública:

1. Identificação do problema

Em geral é, feita pelo Governo ou por instituições civis, classes sociais, ONGs, sociedade em geral.

2. Formulação da Política Pública:

Identificado o problema, buscam-se soluções, mediante um diagnóstico técnico/ científico/ administrativo apresentado por empresas competentes. Após os debates em Audiências Públicas e/ou outros, o processo continua.

3. Tomada de decisões:

Na análise do problema e na tomada de decisões, pode haver divergências e posicionamentos interesseiros. Estes são importantes não só no processo democrático, mas também para criar a “cultura do diálogo”, ocasionando um “mútuo conhecimento e o encontro entre cidadãos de diferentes setores sociais”. Isso já é um valor, em si.

4. Implementação da Política Pública:

Tomada a decisão, o Governo – que pode ser ajudado por instituições – executa a obra.

5. Avaliação/monitoramento da Política Pública:

Tal acompanhamento pode e deve ser feito, também, durante e não só no final da obra.

É assim que a democracia ganha um “rosto participativo” (idem, pp. 33-36).

O Concílio Vaticano II (1962 – 1065), através do Documento Gaudium et Spes, assim se expressa: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são as alegrias e esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (GS, nº 1).

Vista nesta ótica, a CF pode tornar-se um eficiente meio de conversão quaresmal.

Fundamentação Bíblica

Frei Luiz Iakovacz

A Bíblia Hebraica contém 39 livros, todos eles do Antigo Testamento, menos os deuterocanônicos Judite, Tobias, Baruc, Eclesiástico, Sabedoria, 1 e 2 Macabeus. Seus livros principais são Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, chamados de Pentateuco.

O que o Evangelho é o para o cristão, o Êxodo é para o judeu. Nele estão os episódios da libertação do Egito, a peregrinação pelo deserto e o Código da Aliança (cf. Ex 19,1 – 24,11), isto é, o “casamento místico” entre Deus e o povo: “Vós sereis o meu povo e Eu serei vosso Deus” (Lv 26,12).

Todo o Pentateuco é uma atualização dos mandamentos no transcorrer da História. Formou-se, assim, a Lei Mosaica, a Torah. É como que o coração do povo e determinava sua conduta religiosa e social.

A Torah acentua muito o relacionamento entre os seres humanos, especialmente, com os pobres: empréstimo sem cobrança de juros (Ex 22,24-26); pagamento pontual do salário (Dt 24,14-15);  descanso semanal (Ex 20,8-11); abreviação da escravidão (Ex 21,1-11); recolhimento de dízimo trienal para os pobres (Dt 14,28-29).

O capítulo 25 de Levítico fala do Ano Sabático e Jubilar. Ao celebrá-los, prescrevia-se que as dívidas fossem perdoadas e que a terra vendida voltaria ao primitivo dono.

Tudo isso para que “não haja pobres entre vós, mesmo que seja um só” (Dt 15,7).

Mesmo assim, havia três categorias de pobres: viúvas, órfãos e estrangeiros. Todos sem nenhum amparo legal.

As mulheres não podiam exercer atividades econômicas e, caso enviuvassem, a família do marido é que tinha direito sobre a herança deixada. Com isso, eram alvos da ganância de terceiros e viviam da caridade pública. Na cruz, Jesus confiou sua mãe, pobre e viúva, aos cuidados de João (Jo 19,26-27) e os primeiros cristãos instituíram o Diaconato para que fossem bem atendidas (At 6,1-7).

O caso dos órfãos era mais delicado que o das viúvas. Estas, se fossem jovens e bonitas, poderiam interessar a algum irmão do falecido pela Lei do Levirato (Mt 22,23-33), ou poderiam voltar à casa paterna. Em ambos os casos, tinham que abandonar os filhos que ficavam entregues à própria sorte. A Bíblia narra que duas viúvas preferiram ficar na indigência a separar-se dos filhos e Deus as recompensa (Dt 10,17ss). À viúva de Sarepta, Elias garantiu-lhes a subsistência (1Rs 17,17-24) e, a de Naim, Jesus ressuscitou seu filho único (Lc 7,11-15).

O estrangeiro, por não pertencer à raça nativa, vivia marginalizado. A Torah pede que se “ame o estrangeiro” (Dt 10,18-19) porque o próprio povo morou como migrante, no Egito, durante 430 anos (Ex 12,40).

A cultura agrária de Canaã e Israel determinava que, ao fazer a colheita, o que ficava no campo não pertencia mais ao dono. Para os cananeus, o “respigar” era para a divindade, enquanto que a Torah determinava que fosse para o migrante, o órfão, a viúva, e Deus abençoará quem assim o fizer (Dt 24,19).

O casamento do proprietário Booz e a estrangeira Ruth é exemplo típico dessa bondade divina.

Jesus, quando viu a multidão como ovelhas sem pastor, teve compaixão. Sua primeira atitude foi de “ensinar-lhes muitas coisas” (Mc 6,33-34), como era “seu costume” (Mc 10,1). Os milagres e curas que realizou, brotam mais do seu coração misericordioso do que pela demonstração de poder messiânico.

Esse jeito de Jesus nos sugere “como fazer Políticas Públicas”. Conhecendo a Constituição e leis afins, podemos participar, ativamente, nas demandas sociais, posicionando-nos a favor dos que estão em situação de vulnerabilidade.

Temos uma certeza: Javé (= presença libertadora) está conosco. “Vai, Moisés! Eu sou Javé e estou contigo” (Ex 3,13-17).

Pistas de ação para a Campanha da Fraternidade

O texto-base, nas páginas 90-93, apresenta 22 pistas de ação, tais como: estimular o uso de serviços públicos, promover seminários e debates visando o bem comum, trabalhar em parcerias, divulgar as pastorais sócias, promover encontros de formação política, e outros.

Duas delas se dirigem, diretamente, às lideranças religiosas. Sua concretização pode dar-se no transcorrer dos trabalhos habituais.

A primeira é “estimular pessoas idôneas e de caminhada ilibada a participarem dos Conselhos Municipais”.  Embora seja difícil encontrar “pessoas idôneas e de conduta ilibada”, sempre há alguém interessado e com vontade de trabalhar.

Jesus, ao escolher os doze apóstolos, dirigiu-se a eles, pessoalmente, e os convidou. No episódio de Zaqueu (Lc 19,1-10), Ele mesmo se ofereceu para hospedar-se em sua casa. Esta visita ocasionou uma mudança de vida. Espontaneamente, prometeu reparar o roubo praticado, devolvendo o quádruplo, e doando a metade dos bens aos pobres.

Estranha-se tamanha generosidade, mas deve ter sido real porque a resposta de Jesus foi “hoje, entrou a salvação nesta casa”.

Diz o Evangelho que Jesus conhecia os pensamentos de seus interlocutores e não precisava de nenhum testemunho humano (cf. Jo 2,23-25; Mt 9,4; Lc 5,22).

A outra pista é “promover encontros para exercer o discernimento evangélico acerca do que ocorre no cenário político com repercussão na comunidade, bairro e/ou cidade”.

Isto significa que as lideranças não podem descuidar da formação, apresentando os valores do Evangelho, mesmo quando estão na contramão do senso comum.

Jesus pregava ao povo-massa e nunca deixou de fazê-lo; em casa, porém, explicava tudo aos seus (Mc 4,33-34).

Mesmo assim, tinham dificuldade de entender. Quando lhes falava da cruz e sofrimento, discutiam entre si “quem seria o maior” (cf. Mc 9,30-37). Quando Jesus – em discussão com os fariseus que O provocavam pedindo sinais dos céus – ensinava que era preciso ter ´cuidado com o fermento dos fariseus´, eles pensavam que os estava recriminando por não terem levado pão para a viagem (cf. Mt 16,5-12).

Jesus é severo com todos os que queriam desviá-lo da “vontade do Pai”. Chamou de raposa a Herodes quando queria impedi-lo de prosseguir seu trabalho evangelizador (cf. Lc 13,37-39). Pedro, mesmo que bem intencionado, queria livrar Jesus dos sofrimentos, propondo que não fosse a Jerusalém. O Mestre o chama de “satanás” porque pensa segundo os critérios humanos e não com os de Deus (cf. Mt 16,21-23).

Esta postura de Jesus sugere pistas de ação. A primeira, não podemos abrir mão de formar pequenos grupos que, conscientes, serão verdadeiros “fermentos na massa” (Lc 13,21). Depois, a formação é fundamentada nos valores do Evangelho, mesmo quando contrários da sociedade. Por fim, não estranhar que, por causa disso, haja incompreensões e perseguição.

Mas aquele que “perseverar até o fim, será salvo” (Mc 13,13).

Superando a dualidade entre fé e da política

Superar as dualidades sociais e existenciais que interferem ou comprometem nossas ações e comportamentos cotidianos em relação à fé e à política, é o primeiro passo para o agir na Campanha da Fraternidade de 2019. Ela, ao afirmar que o direito e a justiça são condições para a liberdade (ls 1,27), reconhece que a política é intrínseca à fé, e que a prática da fé também é um exercício político. Portanto, fraternidade e Políticas Públicas fazem parte da vocação humana e devem nortear as ações dos homens e mulheres que, na política, defendem a dignidade humana.

Em muitas situações, as dicotomias observadas entre a fé e a vida na espiritualidade humana são manifestações conscientes ou inconscientes, que se estabeleceram ou foram provocadas pelo sofrimento delineado, por se entender que a vida se desenvolve apenas entre “bem ou mal”. Nesse circunstancial, o medo pode nos distanciar das realidades sociais que foram ou são construídas para legitimar o poder , fazendo fracassar os processos coletivos e as organizações populares do “bem viver”.

Outros condicionantes que interferem ou dificultam a conexão entre a fé e a vida no cotidiano existencial das pessoas são as afirmações institucionais ou pessoais apresentadas de um determinado “lugar” em que a predominância é o poder. Tais afirmações, ao relativizar suas manifestações em verdades absolutas, excluem os demais posicionamentos, como é o caso do poder midiático que normalmente criminaliza um lado para favorecer o outro.

Estar atento ao Evangelho, fazer dele o caminho para uma espiritualidade integral, eliminando as distorções entre fé e vida que a sociedade moderna utiliza para legislar em causa própria e, com isso, legitimar o analfabetismo político e religioso que, em nossa sociedade, destina-se aos mais empobrecidos. Precisamos perceber que a ausência das Políticas Públicas impossibilita a própria prática do Evangelho.

Ao reconhecer que a fraternidade exige Políticas Públicas e que elas são condicionantes para se viver em fraternidade, a Igreja Católica, através desta Campanha, nos desafia a testemunhar a justiça participando efetivamente da política, quer seja defendendo, exigindo ou construindo Políticas Públicas que assegurem a vida e a dignidade das pessoas.

A prática, as ações, e as intervenções sociais e religiosas exercitadas por Jesus de Nazaré, seus discípulos, mártires e santos de nossos dias, não nos deixam dúvidas sobre a necessária construção humana e social do Reino. Enganam-se os que asseguram que ele é apenas uma construção pessoal, pois o Reino é de todos e para todos, portanto sua construção é coletiva e deve envolver todos os seus destinatários. Ignorar essa construção ou desvinculá-la de nossas ações sociais é ignorar a história, que continua a nos surpreender com o mesmo questionamento que Deus fez a Caim: “Onde está o teu irmão”?

Deus não surpreende Caim pela dimensão do culto, ou seja, pelo significado de sua oferta, mas por perguntar pelo seu irmão, que ele sabia onde estava. Como Caim, também estamos sendo surpreendidos por Deus nesta Campanha da Fraternidade, pois sabemos onde estão os nossos irmãos. Os que ainda não morreram, agonizam de fome, ou por não terem direto à moradia, trabalho, transporte público, educação e saúde de qualidade. Ser indiferente a esse sofrimento é responder a Deus com a mesma dureza de Caim:“Por acaso, eu sou responsável pelo meu irmão?”.

Caim matou Abel, e quando desvinculamos nossa fé de nossas ações sociopolíticas, também estamos facilitando a exclusão social: às vezes, essas exclusões, que normalmente acorrem entre as populações de maior vulnerabilidade social, acontecem nas “esquinas”, ou seja, muito próximo de nós.

Ao defender que as Políticas Públicas são condições para a fraternidade, essa campanha nos alerta para o exercício de uma escuta qualificada em relação à questão de moradia, a não efetivação desse direito é um atentado contra a vida de muitas famílias que procuram abrigo nas “estrebarias” urbanas e rurais.

Escutar nos desafia a compreender a “voz” de Deus nos indagando sobre o “lugar” em que os nossos irmãos e irmãs, sem teto, estão neste momento da história. A falta de sensibilidade à voz de Deus, que ecoa nas “periferias existenciais” e geográficas, pode nos tomar indiferentes aos seus gemidos, como aqueles que “ouvimos” no dia 1º de maio de 2018 durante o fogo e o desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo Paissandu, na maior metrópole brasileira. “Abandonado” há mais de 20 anos, ele abrigava muitas famílias, entre elas, as de refugiados e migrantes que nele residiam.

As possíveis dicotomias humanas, fortalecidas pelas ingerências e pelo mal uso dos recursos públicos, prática comum entre os agentes políticos, associadas à especulação imobiliária, fizeram com que as pessoas que ocupavam os 24 andares do edifício Wilton Paes de Almeida, assim como muitas outras que estão na mesma situação, se tornassem invisíveis aos muitos passantes que caminham por esses cenários. Alguns preferem incorporá-las a paisagens para não sentir a compaixão.

Portanto, neste momento da história, em que a vida se tornou um objeto de discussão para o mercado econômico e, nele, as pessoas só são “compreendidas” se representarem “lucro”, a Campanha da Fraternidade nos alerta para a conversão social entre as muitas dicotomias existenciais, ao nos convencermos de que a efetivação das Políticas Públicas é condição para a dignidade humana e experimentarmos uma espiritualidade encarnada.

Educar para o humanismo solidário

Há meio século, São Paulo VI publicou a Encíclica Populorum Progressio. Com esse ensinamento social, ele convida mulheres e homens de boa vontade a olharem para as questões sociais e a abraçar um modelo ético-social. Os pressupostos dessa ética partem da interdependência global e do destino comum de todos os homens, ou seja, aquilo que se faz em uma parte do mundo tem consequências em outra. Por isso, “ninguém pode, a priori, sentir-se seguro em um mundo em que há sofrimento e miséria”.

Para uma eficaz participação nas Políticas Públicas, é importante nesse tempo revisitar a Doutrina Social da Igreja e, a partir dela, percorrer um caminho de subsidiariedade para uma melhor integração social que nasça do encontro das dimensões individual e comunitária.

É preciso criar caminhos para uma educação de participação nas Políticas Públicas. Esse processo educacional ajuda a se libertar de certas visões antropológicas permeadas de valores antiéticos como: materialismo, ideais que desrespeitam a dignidade e a vida humana, individualismo e coletivismo, que de forma muito insistente influenciam a cultura de hoje. “Geralmente, tais visões concebem a educação como um caminho de formação do indivíduo à vida pública, na qual
entram em ação diferentes correntes ideológicas, competindo entre si pela hegemonia cultural”.

Nesse contexto antiético, a formação da pessoa, infelizmente, tem respondido a outras exigências: a afirmação da cultura do consumo, da ideologia do conflito, do pensamento relativista, etc. É necessário, portanto, humanizar a educação, ou seja, torná-la um processo em que cada pessoa possa desenvolver as próprias atitudes profundas, a própria vocação e, assim, contribuir para a vocação da própria comunidade. “Humanizar a educação” significa colocar a pessoa no centro da educação, em um quadro de relações que compõem uma comunidade viva, interdependente, vinculada a um destino comum. É dessa maneira que é caracterizado o humanismo solidário”.

Nesse sentido, é possível falar de uma educação das pessoas para uma eficaz participação na elaboração das Políticas Públicas. Por meio das Políticas Públicas, coloca-se a pessoa humana e o seu modo de viver em sociedade no centro das suas elaborações, não prevendo espaços de divisão e contraposição, mas, pelo contrário, oferecendo lugares de encontro e debate para realizar projetos que ajudem a população. Nesse processo de elaboração de Políticas Públicas, derruba-se
os muros da exclusividade e se promove a riqueza e a diversidade dos talentos individuais, tornando-se uma experiência social geradora de solidariedade, partilha e comunhão.

Histórico

Frei Luiz Iakovacz

A Campanha da Fraternidade (CF) teve um início modesto na cidade de Natal (RN), em 1962. Três padres que trabalhavam na Cáritas Brasileira idealizaram um trabalho de conjunto em duas dimensões: evangelizar e arrecadar fundos para a própria instituição a fim de atender melhor suas obras assistenciais e promocionais. Assim, aos poucos, poderia caminhar com as “próprias pernas”, sem depender da Cáritas Internacional.

Em combinação com as dioceses e paróquias, as pregações quaresmais daquele ano (1962) seriam sobre “Conversão”. Não só a pessoal, mas também social, isto é, que se fizesse uma coleta em dinheiro. A este trabalho deu-se o nome de Campanha da Fraternidade.

No ano seguinte (1963), dezesseis dioceses do nordeste fizeram o mesmo. O êxito financeiro foi fraco, mas a sementinha estava plantada.

Neste espaço de tempo, estava acontecendo o Concílio Vaticano II (1962 – 1965). Os Bispos brasileiros, entusiasmados com o espírito renovador do Concílio e vendo que esta iniciativa pastoral traria bons frutos, estabeleceu que a CF fosse implantada em todas as Dioceses e Paróquias, a partir da Quaresma de 1964. Desde então e de maneira paulatina, isto foi acontecendo.

Com o tempo, foram sendo confeccionados subsídios para círculos bíblicos e catequese, programas radiofônicos e televisivos, concursos para cartazes e hinos, e outros.

Ao seu término, cada paróquia faz uma avaliação, sugerindo, inclusive, que temas poderiam ser abordados nas próximas Campanhas. Órgãos Públicos e ONGs também o fazem. O Conselho Episcopal de Pastoral (Consep), órgão da CNBB, escolhe qual é o mais oportuno para cada ano.

Inicialmente (1964 – 1972), os temas estavam relacionados com a renovação interna da própria Igreja, como por exemplo, “Lembre-se: você também é Igreja”/1964.

Nos anos 1973 – 1984, a Campanha se preocupou com a realidade social do povo: “Repartir o Pão”/1975, “Saúde para Todos”/1981.

A partir de 1985, o tema gira em torno de situações existenciais do povo brasileiro. Ano passado foi sobre a violência e, neste, Fraternidade e Políticas Públicas (cf. Texto-Base pp. 103 a 106).

No transcorrer dos 55 anos de CF, dois fatos merecem destaque: a partir de 1970, na Quarta-Feira de Cinzas – a abertura oficial é transmitida em cadeia nacional de rádio e televisão, com a mensagem do Papa. E, desde o ano 2000, ela é ecumênica, com a participação de outros credos religiosos. De cinco em cindo anos, isto se repete.

Por fim, uma palavra sobre Gesto Concreto. Desde o início, faz parte da CF a “Coleta da Solidariedade”. Esta tem duas dimensões. Primeiramente, é algo pessoal, isto é, o dinheiro ofertado é fruto das renúncias quaresmais. A importância economizada, o fiel a traz, com alegria (cf. 2Cor 9,7), na Coleta Solidária. Não é um simples colocar a “mão no bolso”, mas fruto do sacrifício que cada um faz, livre e espontaneamente. Uma coleta, feita com este espírito, é meritória e ajuda na conversão. É claro que, se alguém “sob o impulso de seu coração” (2Cor 9,7), fizer algum acréscimo, nada o impede e é louvável.

O outro aspecto é o seu destino. Ninguém pode “botar a mão” porque ela é aplicada, integralmente, nas pastorais e/ou trabalhos afins ao tema de cada ano. 60% das quase onze mil paróquias ficam na própria Diocese e 40% é enviado ao Fundo Nacional da Solidariedade (FNS).

Desta última, uma parte fica para subsidiar a própria Campanha e o restante é aplicado nos projetos que lhe são enviados de todo o Brasil. Cada ano, o FNS publica a prestação de contas. Em 2017, por exemplo, sobre os biomas brasileiros, auxiliou 237 projetos, num total de R$ 6.815.265,38. Em 2016, foram 209 projetos, somando R$ 6.594.378,91 e, em 2015, 230 projetos com a importância de R$ 6.902.853,12 (cf. Texto-Base, pp. 109-117).

Vamos nos converter e “Crer com as Mãos”, como diz o lema CF/1968.

Cartaz

O cartaz escolhido para a CF deste ano é de autoria do Padre Erivaldo Dantas, religioso paulino. Ele comenta sobre a arte:

Levando em consideração que as Políticas Públicas dizem respeito a toda a sociedade em suas várias dimensões, e que visam assegurar os direitos humanos mais elementares para que cada pessoa tenha condições de viver com dignidade, busquei ressaltar na arte do cartaz, através de silhuetas, a presença de algumas categorias sociais que considero de suma importância para a reflexão da Igreja e da sociedade.

Confesso que não foi tão simples chegar a essa proposta, uma vez que o tema das Políticas Públicas é muito amplo e de difícil delimitação. Entretanto, creio que, ao abordar este tema, é impossível não falar de educação, saúde, meio ambiente, melhor idade, a vida no campo e na cidade, por isso busquei de alguma forma representar essas subdivisões sociais na composição final da arte.

Penso que quando falamos de Políticas Públicas, estamos nos referindo à vida e “vida em abundância” (Jo 10, 10) e, consequentemente da necessidade humana de ter seus direitos não só reconhecidos, mas efetivamente postos em prática, para que cada pessoa possa viver dignamente.

Desejo que a proposta para o cartaz da Campanha da Fraternidade de 2019 possa representar o anseio da Igreja no Brasil de ajudar a sociedade a refletir e reconhecer  seus direitos, através das Políticas Públicas, ou, quem sabe, entender e discutir a necessidade da elaboração de novas políticas em consonância com as necessidades humanas da sociedade atual.

Hino e oração

Hino

Letra: João Edebrando Roath Machado
Música: Pe. Cireneu Kuhn,  SVD

“Eis que o Senhor fez conhecer a salvação
E revelou sua justiça às nações”.
Que, neste tempo quaresmal, nossa oração
Transforme a vida, nossos atos e ações.

Pelo direito e a Justiça libertados,
Povos, nações de tantas raças e culturas.
Por tua graça, ó Senhor, ressuscitados,
Somos em Cristo, hoje, novas criaturas.

Foi no deserto que Jesus nos ensinou
A superar toda ganância e tentação.
Arrependei-vos, eis que o tempo já chegou.
Tempo de Paz, Justiça e reconciliação.

Em Jesus Cristo uma nova aliança
Quis o Senhor com o seu povo instaurar.
Um novo reino de justiça e esperança,
Fraternidade, onde todos têm lugar.

Ser um profeta na atual sociedade,
Da ação política, com fé, participar
É o dom de Deus que faz, do amor, fraternidade,
E bem comum faz bem de todos se tornar!


Oração da Campanha da Fraternidade 2019

Pai misericordioso e compassivo,
que governais o mundo com justiça e amor,
dai-nos um coração sábio para reconhecer a presença do
vosso Reino entre nós.

Em sua grande misericórdia, Jesus,
o Filho amado, habitando entre nós
testemunhou o vosso infinito amor
e anunciou o Evangelho da fraternidade e da paz.

Seu exemplo nos ensine a acolher
os pobres e marginalizados, nossos irmãos e irmãs
com políticas públicas justas,
e sejamos construtores de uma sociedade humana e solidária.

O divino Espírito acenda em nossa Igreja
a caridade sincera e o amor fraterno;
a honestidade e o direito resplandeçam em nossa sociedade
e sejamos verdadeiros cidadãos do “novo céu e da nova terra”:

Amém!

Temas e lemas da CF

Coleta da Solidaridade

A Campanha da Fraternidade se expressa concretamente pela oferta de doações em dinheiro na coleta da solidariedade, realizada no Domingo de Ramos. É um gesto concreto de fraternidade, partilha e solidariedade, feito em âmbito nacional, em todas as comunidades cristãs, paróquias e dioceses. A Coleta da Solidariedade é parte integrante da Campanha da Fraternidade.

DIA NACIONAL DA COLETA DA SOLIDARIEDADE – Domingo de Ramos, 14 de abril de 2019.

Bispos, padres, religiosos(as), lideranças leigas, agentes de pastoral, colégios católicos e movimentos eclesiais são os principais motivadores e animadores da Campanha da Fraternidade. A Igreja espera que com esta motivação todos participem, oferecendo sua solidariedade em favor das pessoas, grupos e comunidades, pois: “Ao longo de uma história de solidariedade e compromisso com as incontáveis vítimas das inúmeras formas de destruição da vida, a Igreja se reconhece servidora do Deus da vida” (DGAE, n. 66). O gesto fraterno da oferta tem um caráter de conversão quaresmal, condição para que advenha um novo tempo marcado pelo amor e pela valorização da vida.

 Os fundos de solidariedade

O resultado integral das coletas realizadas nas celebrações do Domingo de Ramos, coleta da solidariedade, com ou sem envelope, deve ser encaminhado à respectiva Diocese.

Do total arrecadado pela Coleta da Solidariedade, a Diocese deve enviar 40% ao Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), gerido pela CNBB. A outra parte (60%) permanece nas Dioceses para atender projetos locais, pelos respectivos Fundos Diocesanos de Solidariedade (FDS).