Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Meditação diária

fevereiro/2019

  • Francisco, irmão de todas as criaturas

    O desejo de poder e a agressividade que o homem moderno manifesta contra a natureza se voltam, afinal, contra ele mesmo, contra a sua dignidade humana, causando-lhe subitamente um frenesi de violência contra os seus semelhantes, com o que ele fica estupefato. É um fato dolorosamente constatável que, apesar da alta ideia que o homem moderno faz de si mesmo e dos seus semelhantes e apesar de todas as profissões de fé na dignidade transcendente da pessoa humana, nós vivemos em um universo humano incessantemente ameaçado por imprevisíveis explosões de violência, nas quais se desencadeiam, de uma forma descontrolada, todas as forças arcaicas da alma, forças que o homem não quis ou não conseguiu integrar no seu elevado ideal de humanidade.

    Totalmente diverso é o universo de Francisco de Assis. Não se encontra aí essa separação radical entre o mundo dos homens e o resto das criaturas. Nesse universo, os homens são objeto de um amor de predileção, é certo; mas este amor se insere numa imensa piedade cósmica que faz com que se tornem amigas todas as criaturas. Francisco não fraterniza somente com seus semelhantes, mas com todas as criaturas. E quando dá o nome de irmão ou irmã aos próprios elementos materiais, não se deve ver nisso uma maneira meramente alegórica de falar. É que, na verdade, Francisco experimenta sentimentos fraternos para com essas humildes realidades; existe entre elas e ele uma real comunhão afetiva.

    Face a Deus, Francisco se coloca entre as criaturas; reconhece, “com grande humildade”, que é irmão delas, mas também com ação de graças e com encantamento.

    “O Cântico das criaturas”, Eloi Leclerc, Editora Vozes

  • “Que entre nós não se vejam rostos tristes”

    2 de fevereiro – Dia do Religioso

    Somos chamados a experimentar e mostrar que Deus é capaz de preencher o nosso coração e fazer-nos felizes sem necessidade de procurar noutro lugar a nossa felicidade, que a autêntica fraternidade vivida nas nossas comunidades alimenta a nossa alegria, que a nossa entrega total ao serviço da Igreja, das famílias, dos jovens, dos idosos, dos pobres nos realiza como pessoas e dá plenitude à nossa vida.

    Que entre nós não se vejam rostos tristes, pessoas desgostosas e insatisfeitas, porque «um seguimento triste é um triste seguimento». Também nós, como todos os outros homens e mulheres, sentimos dificuldades, noites do espírito, desilusões, doenças, declínio das forças devido à velhice. Mas, nisto mesmo, deveremos encontrar a «perfeita alegria», aprender a reconhecer o rosto de Cristo, que em tudo Se fez semelhante a nós e, consequentemente, sentir a alegria de saber que somos semelhantes a Ele que, por nosso amor, não Se recusou a sofrer a cruz.

    Numa sociedade que ostenta o culto da eficiência, da saúde, do sucesso e que marginaliza os pobres e exclui os «perdedores», podemos testemunhar, através da nossa vida, a verdade destas palavras da Escritura: «Quando sou fraco, então é que sou forte» (2 Cor 12, 10).

    Da mensagem do Papa Francisco para o Ano da Vida Consagrada

  • Lealdade e reverência a Roma de Francisco

    Francisco, mesmo fazendo do compromisso religioso a razão de sua vida, jamais pensou em se tornar padre ou monge; decidiu que não cruzaria a fronteira dos leigos e que trabalharia dentro desse espaço. Não por acaso comparou seus frades a um pequeno rebanho enviado por Deus, e não aos pastores desse rebanho. Resolvido a permanecer numa situação de fragilidade e submissão, quis pertencer, sem se diferenciar, àquela sociedade que a Igreja pretendia comandar de muitas maneiras; nessa sociedade, escolheu pertencer à parcela mais pobre e desprezada, que também abrangia os humildes trabalhadores da terra.

    Não julga, como prescreve o Evangelho. Evitando por completo adotar uma posição crítica ou condenatória diante dos costumes corruptos da Igreja, ou participar de projetos de reforma ou de reivindicação por um papel mais ativo dos fiéis, Francisco evitava o grande perigo de vir a engrossar as fileiras dos que eram inevitavelmente levados à condição de rebeldes e de dissidentes passíveis de condenação. Pelo contrário, com o passar do tempo, os Menores passaram a ser vistos como peças fundamentais para aplacar e direcionar a um filão ortodoxo todos aqueles fermentos e anseios por uma participação mais ativa e intensa na vida religiosa, próprios de uma sociedade em grande transformação, e que  a Igreja, sentindo-se ameaçada e não conseguindo absorvê-los, havia transformado juridicamente em heresias. A profunda lealdade e reverência de Francisco em relação a Roma excluíam qualquer possibilidade de desvios perigosos.

    Do livro “Vida de um homem: Francisco de Assis”, de Chiara Frugoni, Companhia das Letras.

  • Atitude de nobreza

    “A verdadeira nobreza consiste em saber corajosamente sofrer pelos outros e não permitir que outros sofram por nós” (Thomas Carlyle, escritor, historiador, ensaísta e professor escocês, 1795-1881).

    “A verdadeira coroa de nobreza é uma coroa de espinhos” (idem). Quando falamos em nobreza nos vem à mente a classe de nobres, realeza, pompas e afins. Mas em sua origem ela lembrava alguém bem educado disposto a ajudar sem almejar recompensas. Quem assim se dispõe a viver encontra mais ingratidão do que glórias. Muitas vezes é chamado de insensato ou tolo, por pensar mais nos outros do que em si mesmo. Jesus ensina a não fazer alarde do bem que fazemos quando diz: “para que a sua esmola fique escondida; e seu Pai, que vê o escondido, recompensará você.” (Mateus 6,4). Quando você ajuda alguém de coração, sem esperar recompensa, sua atitude é de nobreza.

    Bom dia e Bom trabalho!

    Reflexão feita por Joseé Irineu Nenevê
    Mensagens anteriores em www.maikol.com.br

  • Viva! Não fique parado.

    “Ninguém pode saber por você. Ninguém pode crescer por você. Ninguém pode buscar por você. Ninguém pode fazer por você o que você mesmo deve fazer. A existência não admite representante” (Jorge Bucay, psicoterapeuta e escritor argentino, de 1949).

    Deus te dá os “talentos”, mas quem desenvolve é você. Entendemos por talento a aptidão ou capacidade de um indivíduo. É fazendo que ele irá desenvolver. Quando mais inativos ficamos, mais ele vai “atrofiando”. Você pode escolher caminhar, por exemplo, ou deixar que alguém te leve, você pode ver, ou deixar que alguém te conte o que viu, e assim por diante, somos nós que comandamos a nossa existência. Se abrirmos mão disso ficaremos eternos dependentes dos outros. Quem vive assim, culpa todo mundo por seus fracassos menos a si mesmo por sua preguiça ou acomodação. Embora seja mais fácil adiar do que fazer; assuma uma postura proativa em sua vida, faça logo sem deixar para depois, chegue na hora, levante o caído, endireite o que estiver torto, agradeça, alcance, faça primeiro e sorria sempre.

    Bom dia e Bom trabalho!

    Reflexão feita por José Irineu Nenevê
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  • Beleza que vem do coração

    “Cada coisa têm sua beleza, porém nem todos podem vê-la” (Confúcio, filósofo chinês, 551-478 a.C.).

    Existem belezas que nem imaginamos. Nossos olhos são limitados em sua visão. Foi graças às imagens do telescópio Hubble que tivemos acesso à beleza do espaço sideral. Também foi quase por acaso que descobrimos que existem cogumelos que possuem luz própria e a beleza de sua luminescência pode ser vista à noite nas florestas tropicais. São exemplos de belezas que existem por existir, sem se preocupar se outros as estão admirando. Além das belezas tangíveis, existem muitas que estão invisíveis aos nossos olhos. Em cada ser humano existe tanta beleza que nem mesmo outro ser humano consegue atingir sua plenitude, pois a maioria está além da visão. Assim a referência do belo está no coração de quem pode ver o visível e o invisível. Um ato de bondade é lindo e quem o pratica irradia beleza interior. Nossa visão de beleza é limitada à nossa capacidade de amar.

    Bom dia e Bom trabalho!

    Reflexão feita por José Irineu Nenevê
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  • Como Francisco tratava a natureza

     

    O desejo de poder e a agressividade que o homem moderno manifesta contra a natureza se voltam, afinal, contra ele mesmo, contra a sua dignidade humana, causando-lhe subitamente um frenesi de violência contra os seus semelhantes, com o que ele fica estupefato. É um fato dolorosamente constatável que, apesar da alta idéia que o homem moderno faz de si mesmo e dos seus semelhantes e apesar de todas as profissões de fé na dignidade transcendente da pessoa humana, nós vivemos num universo humano incessantemente ameaçado por imprevisíveis explosões de violência, nas quais se desencadeiam, de uma forma descontrolada, todas as forças arcaicas da alma, forças que o homem não quis ou não conseguiu integrar no seu elevado ideal de humanidade.

    Totalmente diverso é o universo de Francisco de Assis. Não se encontra aí essa separação radical entre o mundo dos homens e o resto das criaturas. Nesse universo, os homens são objeto dum amor de predileção, é certo; mas este amor se insere numa imensa piedade cósmica que faz com que se tornem amigas todas as criaturas. Francisco não fraterniza somente com seus semelhantes, mas com todas as criaturas. E quando dá o nome de irmão ou irmã aos próprios elementos materiais, não se deve ver nisso uma maneira meramente alegórica de falar. É que, na verdade, Francisco experimenta sentimentos fraternos para com essas humildes realidades; existe entre elas e ele uma real comunhão afetiva.

    “O Cântico das criaturas”, Eloi Leclerc, Editora Vozes

  • Conte até dez antes de uma decisão

    “Porque é desaconselhável perder a cabeça? Porque, então, se é sincero” (Cesare Pavese, escritor e poeta italiano, 1908-1950).

    Perder a cabeça é perder o controle emocional. São nos momentos de muita raiva que retiramos as travas da boa educação e soltamos o que estava preso em nosso coração. Então aflora a sinceridade. Quando se está apenas discutindo com alguém se revela os verdadeiros sentimentos. Mas perder a cabeça quando se está em jogo negócios pode ser muito perigoso, pois no desespero há uma tendência de correr riscos maiores com grandes chances de prejuízos futuros. Talvez por isso a sabedoria popular aconselhe contar até dez antes de qualquer decisão importante.

    Bom dia e Bom trabalho!

    Reflexão feita por José Irineu Nenevê
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  • Sonho

     “Quem elegeu a busca não pode recusar a travessia” (Guimarães Rosa).

    Buscar é ir atrás dos sonhos, dispor-se a procurar o tesouro maior da vida! Buscar é lançar-se no caminho, na estrada, na procura daquilo que encantou o olhar… E nessa busca a travessia é necessária, pois ficar é perecer, é negar o sonho, é ficar cativo do medo… Nessa experiência o medo precisa ser vencido!

    Hoje aprendi a sonhar e também a tirar as lições desses devaneios da alma! Sei que os sonhos são uma metalinguagem que necessitam interpretações. Mas sei que, acima de tudo, os sonhos me fazem voar em novos horizontes e, assim, antecipam o porvir, abrem perspectivas, apresentam e antecipam a própria travessia… Sonhar é permitir a alma falar dentro de nós!

    Tenha um abençoado e iluminado dia…

    Frei Paulo Sérgio, ofm

  • Ser santo: processo de transformação

    Ser santo não é ser sobre-humano, sem defeitos, multiplicando milagres, sendo um bom intercessor. É justamente realizar o que somos. Ter um eu verdadeiro (aquele que Deus conhece), viver a dimensão do corpo tanto quanto a da alma.

    O fundamental é ir vivendo o processo de transformação. Nesta terra, sempre teremos falhas, mas elas são um elemento muito positivo para ajudarmos o processo vendo o que nos falta e deixando a luz de Deus entrar. Entrar e passar: ela vem de Deus através de todas as pessoas e de todas as criaturas e tem que ser passada adiante por cada um de nós.

    “O Crucifixo de São Damião”, de Frei José Carlos Pedroso, Centro Franciscana de Espiritualidade.

  • Choro indica que algo não vai bem

    Durante muito tempo, supôs-se que o choro era algo a ser evitado, para demonstrar bravura e coragem. De maneira machista, chorar era tido como um atributo quase exclusivamente feminino. A frase antiga, ouvida na escola, na rua, na família, tinha algumas variações, porém o mesmo sentido: “homem não chora”, “chorar é coisa de menina”, “está chorando igual a uma menininha”.

    Essas ideias, felizmente, foram sendo mudadas. O machismo, ainda não extinto, vem perdendo fôlego. A noção de que o choro, como capacidade de expressar sensibilidade, não deve ser descartada. Por outro aspecto, o choro é um sinal de que algo não vai bem. O escritor William Shakespeare dizia: “O choro diminui a profundidade da dor”. A situação de dor profunda faz com que haja um extravasamento quando o choro vem à tona. Os cristãos, no Evangelho de Mateus, capítulo 5, versículo 4, ao citar as bem-aventuranças, lembram de uma delas que está ligada a isso: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”, isto é, o choro como possibilidade de sinalizar para as outras pessoas, para aquilo que está a nossa volta ou para nós mesmos, que alguma coisa não vai bem.

    Por isso, chorar, não como algo contínuo, o tempo todo, mas, como expressão, como destampamento de algo que dói, diminui de fato a sua profundidade.

    “Pensar bem nos faz bem”, Mario Sergio Cortella, Editora Vozes

  • Em sintonia com o amor de Deus

    “Reza e espera. Não te agites; a agitação é inútil. Deus é misericórdia e há de escutar a tua oração” (São Pio de Pietrelcina, frade capuchinho italiano, 1887-1968).

    “Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim” (Mc 7,6). Se o teu silêncio está em sintonia com o amor de Deus, então ele vale mais do que inúmeras palavras ditas apenas com a força do intelecto, mas sem nenhuma ligação com o coração. Deus conhece o mais profundo de nossa alma, por isso não adianta tentar convencê-lo com nossos argumentos. Ele espera a nossa sinceridade. Ele é Senhor do tempo e a seu tempo ele vai te atender com a intensidade que você merece, mas sobre tudo confia.

    Bom dia e Bom trabalho!

    Reflexão feita por José Irineu Nenevê
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  • Inquietação do saber

    “A busca do saber assemelha-se à perfuração de um poço: a água é turva no início, mas depois fica clara” (provérbio chinês).

    Ler algo já produzido é bem diferente de elaborar a partir de nosso pensar. Com a facilidade de acesso às fontes de informações pelas mídias eletrônicas, pensamos que temos toda a informação a nosso alcance. De nada adianta se não pensamos, ou seja, a partir de um ponto criar o nosso pensamento a respeito do assunto. Seria semelhante a ter acesso a informações sobre exercícios físicos, mas não praticar. À medida que aprofundamos nas fontes de informações vamos percebendo que muitas se contradizem, pois foram elaboradas por pessoas que colocaram seu ponto de vista sobre aquele assunto. A busca do saber gera uma inquietação para aprofundar nosso pensar até chegarmos “às águas claras” do conhecimento. É um exercício diário e pessoal, que está ao nosso alcance. Se quisermos saber a verdade devemos aprofundar nosso “poço”.

    Bom dia e Bom trabalho!
    Reflexão feita por José Irineu Nenevê

  • Liberdade interior

    “Só seremos livres na medida exata em que desenvolvermos nossa liberdade interior” (Mahatma Gandhi, advogado, pensador e político hindu, 1869-1948).

    Nem mesmo a prisão não tirou a liberdade de Gandhi. Ele foi pouco a pouco se libertando de várias amarras que impediam sua liberdade. Libertou-se do formalismo das roupas tradicionais britânicas para vestir o “sári” originário de sua terra. Foi percebendo que o recurso natural, como o sal, encontra-se livre nas águas do mar, sem precisar comprar. À medida que avançava ia percebendo que basta o necessário, o extraordinário muitas vezes aprisiona, e com isso desenvolveu sua liberdade interior na simplicidade que permitiu entender que até a violência aprisiona. Seu exemplo influenciou o comportamento de toda a Índia e nos leva a pensar sobre o que impede a nossa liberdade interior.

    Bom dia e Bom trabalho!

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  • Não fique parado

    “Viver é um conjunto de possibilidades infinitas. Não se limite em tentar, faça acontecer” (Ricardo Lima em pensador no Facebook).

    Às vezes penso na vida como um grande centro esportivo com possibilidade de praticar diversos esportes. Esportes individuais ou coletivos. Em cada um deles a pessoa pode três tipos de participação, como apreciador (apenas pratica), como competidor (busca se superar) ou como admirador (vê sem praticar). Nas atividades individuais, o maior beneficiado é o atleta, pois seu corpo vai responder aos estímulos e ele vai ganhar em melhoria de saúde. Nas atividades coletivas, além do benefício da saúde, vai desenvolver o espírito de equipe, onde o importante é o resultado do grupo, e, neste caso, um procura ajudar o outro para que todos saiam ganhando. Neste hipotético centro esportivo, tem atividades para todos os gostos, onde é muito importante participar, pois está em jogo a sua saúde física e mental. A qualidade de sua participação vai determinar o seu futuro. Mesmo assim alguns preferem reclamar da sorte ou ficar “bebendo” em algum lugar. O corpo, com o tempo, vai sentindo os efeitos da falta de treino. Vale também para a vida profissional. O que deixou de ser estimulado vai se “atrofiando” e vêm as doenças. O treinador é a sua força de vontade, seu querer. A escolha é sua.

    Bom dia e Bom trabalho!

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  • A dor da consciência de si

    A espécie humana nasce quando aprende a se olhar de fora; o homo sapiens sapiens não é apenas aquele que sabe, mas é aquele que sabe que sabe, que tem consciência de si e do mundo. O humano é produto da consciência de si, da dor de saber quem é, saber de sua finitude, de sua
    fragilidade e da provisoriedade da vida. Um mosquito, um vírus, uma seca prolongada, um tremor e pode não sobrar mais ninguém no mundo, pode não sobrar nada.

    Quanto maior a consciência da vida, quanto mais ampla, maior é a necessidade do enfrentamento trágico com esta dor, mas é deste enfrentamento que surgem pessoas mais fortes, mais dignas e mais corajosas.

    “Nietzsche Hoje”, Viviane Mosé, Editora Vozes

  • A liturgia não é um mero ornamento

    As pessoas anseiam por missas cheias de força. Elas podem durar tranquilamente mais. Quem só celebra as missas mais curtas, tendo em vista o conforto das pessoas, dificilmente quer tocá-las e fazer com que elas se convertam. É preciso ter a coragem de usar o tempo e de celebrar os rituais previstos com toda a atenção e honestidade. Nesse caso, mesmo hoje, as pessoas são tocadas. É um desafio de nossa Igreja celebrar a liturgia de tal maneira que as pessoas sintam algo da força que emana de Deus, que não é um mero ornamento para nossa vida. Ainda hoje Ele pode nos tocar profundamente e nos transformar.

    “Reconciliar-se com Deus”, Anselm Grün, Editora Vozes

  • Estar livre para seguir em frente

    “A melancolia é o caminho interior para se tornar uma estátua de sal” (Enrique Múgica Herzog, advogado e político espanhol, nasceu em 1932).

    Quem vive olhando para trás não consegue ver o caminho a seguir. Melancolia é uma tristeza mórbida que impede de ver o lado positivo dos acontecimentos, fica apegada ao passado, do que foi e já não é mais e tem muita dificuldade em valorizar o agora com esperança em um futuro melhor. No livro do Gênesis (19), há a narrativa de uma cidade (Sodoma) que vivia em função dos bens materiais e do glamour que eles proporcionavam sem se importar com a justiça, a honestidade e o amor de Deus. Lá vivia Ló com sua família e eles recebem a ordem de Deus para deixar tudo e sair, pois a cidade seria destruída; “Fuja por amor à vida! Não olhe para trás e não pare em lugar nenhum da planície! Fuja para as montanhas, ou você será morto!” (Gn 19,17), mas não poderiam olhar para trás, ou seja, desejar novamente aquele estilo de vida. Na fuga a mulher de Ló olha para trás e se transforma em uma estátua de sal. Ela desobedeceu e ficou pelo caminho. Viver apegado ao passado impede de estar totalmente livre para seguir em frente.

    Bom dia e Bom trabalho!

    Reflexão feita por José Irineu Nenevê
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  • Como lidar com a culpa

    Algumas vezes, os cristãos utilizam a confissão para esquivarem-se de suas culpas. Por meio da confissão, eles desejariam se livrar da culpa o mais depressa possível, sem se confrontarem com ela. No entanto, esta não é uma maneira madura de lidar com a culpa. A confissão só me libertará da culpa se eu a encarar abertamente. A contemplação da culpa passa pela memória. Eu trago à memória a situação da qual eu sou culpado ou à qual reagi com sentimentos de culpa.

    A lembrança deixará com que venham à tona os sentimentos negativos como a raiva ou o ódio de mim mesmo ou daqueles que me machucaram, a dor, a decepção e a tristeza. Não devo esquivar-me destes sentimentos negativos, pois senão eles não poderão ser transformados. Sem esta confrontação sincera com minha culpa não poderei continuar a desenvolver-me, girarei sempre em volta de meus sentimentos de culpa. Neste caso, a confissão também não levará a um retrocesso verdadeiro, mas sim a uma fixação de meu comportamento repleto de culpa. A reversão necessita de um trabalho de modificação.

    Anselm Grün, “Perdoa a ti mesmo”, Editora Vozes

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