Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

O coração que já batia no peito do Menino das Palhas

07/12/2018

>> O tempo brinca conosco. Faz de nós o que quer. Mal e mal ajeitamos as figuras e símbolos do Natal numa imensa caixa de papelão no cubículo dos fundos da casa e nos damos conta de que já é tempo novamente de “armar o presépio”. O coração do Amado que morre pregado ao lenho já batia no peito do Menino das Palhas. Diante de meus e de seus olhos este rico pensamento de Santo Agostinho para começar nossa reflexão: “A força de Cristo te criou, a fraqueza de Cristo te recriou. A força de Cristo fez com que existisse o que não existia; a fraqueza de Cristo com que o que existia, não viesse a parecer; criou-nos com sua força e resgatou-nos com sua fraqueza”.

>> Ao longo do caminho de nossa vida de discípulos do Senhor não cessamos de contemplar as misericórdias que Deus foi e vai derramando em nossa vida, no caminhar da Igreja, no coração das pessoas retas e de boa vontade, através do amor sem limites de Cristo Jesus. Para nós, ele é o Ressuscitado, o vitorioso, aquele que vivo está em nosso meio sustentando nossa vida nova, vida de ressuscitados nele e com ele. Ele hoje nos fala, nos encoraja, nos alimenta, nos encoraja e pede asilo em nosso interior. Nesse empenho de alimentar nosso carinho e afeto pelo Esposo precisamos fazer com que nas alamedas interiores e mistério existenciais ecoem palavras e gestos do Jesus histórico. Fixamo-nos em primeiro lugar nos seus milagres e numa parte do maravilhoso dito a seu respeito. Sentimos que uma força emerge dele precisamente a partir de sua fragilidade.

>> Santo Agostinho no breve texto com o que abrimos nossa reflexão faz um jogo entre força e fragilidade. A força de Cristo, isto é, o Verbo que é Deus criou e cria a todos e a tudo. Na fragilidade da rosa que desabrocha, no fiozinho de água que corre pedra abaixo, na criança que nasce agora na maternidade e chora desesperadamente ainda besuntada de sangue Deus age, cria, inova. Coisas frágeis. Coisas simples. Extasiamo-nos diante da criação do Senhor. Tudo fervilha. Tudo tem a força daquele que cria. Francisco de Assis ficava extasiado diante de tudo porque por detrás de tudo estava o Altíssimo e Bom Senhor.

>> Agora o outro lado da moeda: pela fragilidade do condenado à morte, daquele que foi suspenso entre o céu e a terra fomos resgatados, renovados, recriados, restaurados. O Verbo feito carne foi vivendo entre nós. Nada de feitos extraordinários, mas gestos simples e bons que culminam na fragilidade da cruz, no total abandono de um impotente e indefeso. Paulo, corroborando o dizemos, afirma que é forte quando fraco. Não passa pela nossa cabeça defender uma como que espécie de neurose de busca de sofrimento. Uma certa “espiritualidade” do passado gostava de cantar loas às macerações do corpo e se comprazia na busca de humilhações. Longe de nós esse tipo de deturpação de leitura do sofrimento de Jesus. Ele não busca o sofrimento com um gosto doentio.

>> Tudo o que ele ali vive lhe parece um absurdo. Tem vontade de gritar, mas sua voz não é ouvida. Ninguém o defende. Os que antes o rodeavam e procuravam desaparecem. Não tem advogados. Quem sabe ouve o choro sereno da mãe ao pé da cruz e parece sentir que o Pai está distante. Chega mesmo a dizer, segundo os evangelistas: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” E quando se entrega nos braços do Pai e depois de morte ainda acontece o esvaziamento de todo o seu interior: os fiapos de água e de sangue que saem de seu coração aberto. Fragilidade cheia de força.

>> Voltemos à criança. Santo Efrém falando do Menino das Palhas de maneira poética assim a ele se dirige: “Que coragem tu tens! Assim tão pequenino te entregas a todos; a quem vem ao teu encontro ofereces teu sorriso; a quem te olha, te mostras acolhedor; é como se teu amor tivesse fome do amor dos homens”. O pequenino se entrega a todos. É como se tivesse fome do amor dos homens.

>> Não podemos nos esquecer que o Menino sorridente do presépio é também o pobre ser alquebrado no alto da cruz com o Coração aberto. O Coração do Menino e do Justo suspenso entre o céu e a terra bate sempre na mesma cadência. É a batida do amor. Por vezes, nós seres humanos sentimo-nos como que abandonados na trajetória da vida, na trajetória dos desertos. E o coração indigente, lamenta: “‘Por que, Senhor, me abandonaste desta forma ao longo do sofrimento?’ O Senhor, entanto, em luz indizível, responde, encorajando-o: ‘Eis os sinais dos meus pregos e minhas chagas; sofri tudo isso, alma querida porque estiveste ferida e presa de tantos inimigos. Curei-te e libertei-te porque te fiz à minha imagem. Por ti sofri eu que sou o impassível. A aflição da minha alma foi para o teu bem” (Pseudo-Macário).

O coração dilacerado no alto da cruz já batia no peito do Menino das Palhas!

Frei Almir Guimarães

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